Fusão de planos tem problemas

ANS recebeu em apenas dois dias 660 queixas contra a Unimed-Rio e Golden Cross

Jerusa Rodrigues, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2013 | 02h07

Desde o dia 1.º de outubro a Unimed Rio passou a atender os beneficiários de planos individuais e familiares da operadora Golden Cross. Mas, em apenas 2 dias de a medida entrar em vigor, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recebeu 232 reclamações contra a Golden Cross e 428 contra a cooperativa.

A leitora Helena Passarelli, de Santo André, que desde 1979 tem o plano da Golden Cross, foi informada que sua consulta no Hospital Cristóvão da Gama não teria cobertura da Unimed Rio. "Depois de uma hora no telefone, a atendente disse para eu procurar o Hospital Bartira, em Santo André. Mas eles não sabiam de nada." A operadora ainda não respondeu.

Beneficiários de outros planos também continuam a ter problemas. No primeiro semestre deste ano, queixas contra operadoras ocuparam o 6.º lugar no ranking do Procon, com 6.550 registros.

A empresária Cláudia Casimiro adquiriu o plano da Unimed Paulistana por causa dos hospitais e laboratórios credenciados. Mas, ao tentar utilizar o serviço, soube que muitos deles não atendiam pela operadora. "Desde 12 de setembro tento cancelar." A Unimed Paulistana respondeu que as alterações na rede ocorrem após negociações com os prestadores de serviços, e que as informações estão no site. Diz que a usuária foi informada sobre as regras de cancelamento.

De acordo com a professora de Direito do Consumidor da PUC-SP Maria Stella Gregori, a Lei 6.956 diz que as operadoras podem se descredenciar de hospitais, desde que ofereçam um serviço de igual qualidade e tenham informado a ANS e o consumidor 30 dias antes. "Se essa medida não foi seguida, a usuária pode reclamar na ANS, no Procon e no Judiciário", orienta.

Confusão. O aposentado Miguel Zaine conta que, ao tentar fazer exames no laboratório Delboni, soube que seu plano, SulAmérica, não cobria 2 de 19 procedimentos. "Depois de gastar R$ 596 para realizá-los, soube que poderia tê-los feito em outro local, onde fossem cobertos."

O Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica disse que providências para a solução do caso foram tomadas. O leitor alega que não foi orientado pelo laboratório, na ocasião. Segundo o advogado Julius Conforti, não se pode desprezar a responsabilidade da seguradora, por responder solidariamente pelas falhas cometidas pelo laboratório e por não informar a real abrangência do credenciamento existente entre ela e o laboratório, tudo nos termos previstos pelo Código de Defesa do Consumidor.

"O leitor pode, independentemente de medidas judiciais, solicitar à operadora o reembolso dos gastos com o exame."

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