Furto do BC: cabeleireira pega 160 anos de prisão

Irmã de mentor do maior ataque a banco da história é condenada a pena quatro vezes maior; R$ 164 milhões foram levados há 5 anos de Fortaleza

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Cinco anos depois do furto de R$ 164 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), a Justiça Federal aplicou a maior pena a um acusado no caso: 160 anos de prisão para a cabeleireira Geniglei Alves dos Santos. Ele é acusada de lavar parte do dinheiro levado no maior ataque da história do País a um banco. Outros cinco réus também foram condenados pela lavagem. A sentença do juiz Danilo Sampaio foi divulgada anteontem.

A pena da cabeleireira é 4,4 vezes maior do que a recebida por seu irmão, Antônio Jussivan Alves dos Santos, condenado a 36 anos de prisão como um dos líderes da quadrilha que planejou e praticou o crime. Isso ocorre porque as penas para lavagem são mais duras do que as para o furto e formação de quadrilha. Somadas, as condenações dos seis réus chegam 281 anos de prisão. Eles eram acusados de comprar 19 veículos e sete imóveis com o dinheiro furtado - a perda dos bens foi decretada pelo juiz.

A defesa vai recorrer das condenações. "Elas são desproporcionais. O Maníaco do Parque não recebeu uma pena tão grande", afirmou o advogado Elizeu Minichillo, que defende Jussivan e outros réus do caso.

Ao todo, cerca de 150 pessoas estão sendo processadas por causa da lavagem de dinheiro e 36 por causa da participação direta no furto. A maioria dos acusados de lavagem é composta de parentes e amigos dos acusados do furto ao Banco Central - a Polícia Federal diz ter recuperado R$ 50 milhões do que foi furtado, R$ 19,8 milhões em dinheiro e os restante em bens móveis e imóveis.

Semiaberto. Enquanto os acusados de lavagem ainda estão sendo julgados, os ladrões que participaram diretamente do furto já foram condenados. Mais do que isso: três deles já receberam nos dois últimos meses o direito de cumprir o que lhes resta de pena no regime semiaberto.

É o caso de Marcos França, que confessou suas participação na escavação do túnel de 75 metros usados pelos criminosos para invadir a caixa-forte do Banco Central. Ele já cumpriu mais de um sexto da pena, o que lhe permitiu receber o benefício. França era primário ao ser preso.

Recentemente, ele e outro acusado no caso - José Almeida Santana - se recusaram a fugir do presídio em que estavam no Ceará - mais de 20 detentos escaparam. "Eles querem sair pela porta da frente", afirmou Minichillo. França e outros acusados foram beneficiados ainda pela decisão recente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5.ª Região de reduzir as penas dos acusados de furto e quadrilha.

França havia recebido 47 anos de prisão do juiz Danilo Sampaio, da 11.ª Vara Federal de Fortaleza. O TRF reduziu-lhe a pena para 19 anos. Jussivan, o irmão da cabeleireira, teve a pena diminuída em 13 anos - de 49 para 36 anos. Outros dois chefes do grupo - Lucivaldo Laurindo, o Torturado, e Moisés Teixeira da Silva, o Cabelo - tiveram suas condenações de 47 e de 17 anos transformadas em 11 e 15 anos, respectivamente. "Quem participou do furto não pode ser acusado de lavar o dinheiro ao gastar o que furtou", afirmou o advogado.

Ocorrido entre os dias 5 e 6 de agosto de 2005, o furto foi investigado pela PF. Os agentes federais concluíram que policiais de todo o País extorquiram cerca de R$ 30 milhões dos bandidos - um deles, Luis Fernando Ribeiro, foi sequestrado e morto por policiais apesar de sua família pagar o resgate. O destino de R$ 80 milhões ainda é desconhecido. / COLABOROU JOSMAR JOZINO

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