Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Furto de bagagem em Congonhas cresce 50% no ano

Foram 401 casos em 2012, contra 268 em 2011; polícia alega que delegacia do aeroporto também registra ocorrências do entorno

William Cardoso, de O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2013 | 20h24

O número de furtos registrados na Delegacia do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, cresceu 49,6% em 2012, em comparação com o ano retrasado. Foram 401 casos, ante 268 de 2011. A quantidade de roubos cresceu 4,5 vezes, em comparação com o ano anterior - 37, ante 8. Os números são da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

O crescimento no número de furtos e roubos se deu principalmente a partir do segundo semestre de 2012. Nos últimos seis meses do ano, foram registrados 221 furtos e 32 roubos na delegacia de Congonhas. O crescimento no número de passageiros entre 2011 e o ano passado é inexpressivo - foram 16,775 milhões, ante 16,756 milhões.

É importante ressaltar que nem todos os crimes foram cometidos dentro do aeroporto - ocorrências de bairros vizinhos muitas vezes são registradas no distrito policial do local.

O secretário executivo Mario James Ribeiro Damasceno, de 52 anos, mora em Rio Branco, no Acre, e sempre passa por Congonhas quando vem a São Paulo. Ele afirmou que, por precaução, não traz mais notebook. "Tomo bastante cuidado, porque colegas que vieram para cá já perderam. Tenho medo mesmo. Nem é pelo fato de ser um bem material, mas porque podem me seguir em um táxi e eu perder a vida durante um assalto", disse.

Não é apenas a área interna do aeroporto que desperta preocupação em quem circula pelo local. A comissária de bordo Milena Nadalin, de 26 anos, já foi assaltada na passarela de pedestres sobre a Avenida Washington Luiz. "Já aconteceu comigo duas vezes, em 2007 e em 2010."

Medo semelhante tem o empresário Edmundo Brito, de 44 anos. "A passarela é bem mais perigosa que o saguão. É preciso ficar sempre alerta com o que pode acontecer."

Conselhos. O publicitário James Rubio, de 49 anos, tem apartamentos no Rio e em São Paulo, por isso viaja entre as duas cidades com frequência, sempre passando por Congonhas. Segundo ele, em 35 anos de viagens nunca foi vítima de furto ou roubo. "Não pode dar bandeira com celular e notebook. Tem de ficar sempre atento e, de preferência, colocar equipamentos eletrônicos em malas grandes, que não chamem a atenção."

Não foram apenas os passageiros de Congonhas que sofreram com o aumento nos furtos e roubos. No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, onde a incidência de crimes é maior, os furtos cresceram 26,5% (1.757, ante 1.389) e os roubos tiveram aumento de 34,6% (72 a 50).

O titular da Delegacia do Aeroporto de Congonhas, Marcelo Godói Palhares, afirmou que, se o número de furtos e roubos aumentou, cresceram também as prisões entre 2011 e 2012. No ano passado, foram realizados 23 flagrantes, que terminaram com a prisão de 27 pessoas - praticamente o dobro do registrado no ano anterior (12 flagrantes, com 14 presos). "Aumentou o número de ladrões", disse o delegado, que não sabe ainda o que motivou essa presença maior de bandidos no aeroporto.

Segundo Palhares, não há roubos no interior do aeroporto - a delegacia local registra também BOs de outras áreas.

Copa do Mundo. A polícia se prepara para ampliar a estrutura, visando à Copa de 2014. "Já temos um projeto para aumentar o tamanho da delegacia. É o conforto, algo para ficar permanentemente, mesmo depois do evento", disse.

O delegado afirmou que a maioria dos furtos tem como alvo executivos em turismo de negócio. Ele diz que policiais fazem ronda, descaracterizados, para flagrar suspeitos.

A Polícia Militar disse, em nota, que mantém um posto no aeroporto e uma viatura para patrulhamento 24 horas por dia no entorno, onde há maior probabilidade de ocorrências. De acordo com a Infraero, que administra a infraestrutura do Aeroporto de Congonhas, a responsabilidade por esse tipo de ocorrência é das autoridades de segurança.

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