Fundação Casa afasta 4 após tortura de jovens

Imagens mostram funcionários agredindo 6 internos de unidade na Vila Maria após tentativa de fuga em maio

O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h05

A Fundação Casa afastou o diretor da unidade João do Pulo do Complexo da Vila Maria, na zona norte de São Paulo, e mais três funcionários acusados de espancar seis adolescentes internados. A sessão de espancamento ocorreu após uma tentativa de fuga e foi filmada. As imagens foram exibidas ontem pelo Fantástico, da TV Globo.

A Corregedoria-Geral da Fundação decidiu abrir sindicância. Além disso, a Polícia Civil deve ser informada sobre o fato a fim de apurar possível tortura. O Ministério Público Estadual (MPE) esteve na unidade na sexta-feira a conversou com os adolescentes da unidade, que teriam confirmado a ocorrência de espancamentos no lugar.

Nas imagens exibidas ontem, os funcionários dão socos, tapas, pontapés e até cotoveladas nos adolescentes, que estão apenas de cuecas, em uma sala da unidade. As imagens seriam de 3 de maio. "Está muito claro que ocorreu crime de tortura nesse caso", disse ao Estado o advogado Ariel de Castro Alves, do grupo Tortura Nunca Mais e Movimento Nacional de Direitos Humanos.

Segundo informou ontem à noite a Fundação Casa, o afastamento dos funcionários foi decidido pela presidente da fundação, Berenice Gianella, imediatamente após assistir às imagens, na sexta-feira. A Fundação não divulgou os nomes dos funcionários afastados, identificados pela TV Globo como Maurício Mesquita Hilário e José Juvêncio. Segundo a emissora, entre eles está o diretor da unidade, Wagner Pereira da Silva, que aparece nas imagens observando as agressões.

Os adolescentes espancados foram transferidos anteontem para outras unidades a fim de que não sofressem represálias.

O complexo da Vila Maria abriga 521 adolescentes em oito unidades. A João do Pulo tem capacidade para 40 internos, mas abrigava ontem 64 adolescentes, a maioria apreendida sob as acusações de roubo e tráfico de drogas.

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