Funcionários foram ameaçados com paus e facão

Assaltado duas vezes na região, cura da Sé diz que 'bandidos' se misturavam a moradores de rua; Igreja gasta R$ 1.500 por mês para lavar escadas

, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Às 7 horas, diariamente, os funcionários da catedral começam o trabalho de limpeza das escadarias. Essa rotina, segundo o cônego Walter Caldeira, é necessária para limpar "a urina e demais necessidades" feitas por sem-teto que dormem nos degraus da igreja durante a noite. A medida acabou causando ameaças, em novembro do ano passado. "Nossos funcionários foram ameaçados de morte por tirarem eles da porta de manhã cedo. Com facão, pedaços de pau, cachorros."

Com ajuda da Prefeitura, que passou a entrevistar os moradores de rua que dormiam no local com o objetivo de encaminhá-los a programas sociais ou albergues, "os bandidos deixaram de frequentar o local", segundo o cônego. Ele considera a presença constante da Guarda Civil Metropolitana fundamental. "Foi preciso fazer uma triagem, separar o joio do trigo para saber quem era bandido e quem era pobre. Quando só os pobres passaram a ficar, não teve mais problema. Porque os pobres, embora façam suas necessidades, não criam problema nenhum, Dormem, levantam e saem. Quem criava problemas eram os bandidos."

O cura afirma que a catedral gasta R$ 1,5 mil com a limpeza diária da escadaria.

Assaltos. Franco, sem receio de dizer o que pensa, o cônego Caldeira também é um homem durão. Desde que passou a administrar a catedral da Sé, já foi assaltado duas vezes na região. O primeiro assalto ocorreu na Rua Senador Feijó; o segundo, na esquina da Praça João Mendes com Viaduto Maria Paula. "Foi na hora do almoço. Daqueles que enfiam a mão no bolso para bater carteira. Homens de 40, 50 anos. Um deles me roubou e eu bati. Aí ele me devolveu o dinheiro. E o outro não conseguiu me roubar. E nesse eu só bati."

Apesar de apoiar os trabalhos dos grupos católicos Toca de Assis e Aliança de Misericórdia, que atuam com moradores de rua, o cônego diz que não tem a mesma vocação. "O padre Júlio Lancellotti, por exemplo, é mais paizão. Eu ponho cada um no seu lugar. Para ele (padre Júlio), todos deveriam ficar deitados na porta. Mas eu o respeito e ele faz um trabalho lindo com essas pessoas. Minha vocação é mais administrativa, governamental."

Procurado pelo Estado, o padre Júlio Lancellotti, vigário do Povo da Rua, disse que "não quer polemizar com a Igreja pelo jornal". / BRUNO PAES MANSO

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