Bruno Lupion/estadão.com.br
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Funcionários fecham Shopping Villa-Lobos contra novo horário de domingo

Cerca de 300 manifestantes bloquearam entradas do centro comercial das 11 até as 14 horas

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

26 Setembro 2010 | 15h42

SÃO PAULO - Quem tentou almoçar ou fazer compras no Shopping Villa-Lobos, localizado na zona oeste da capital, no começo de domingo, 26, teve que mudar de ideia. Cerca de 300 manifestantes, entre funcionários de lojas e sindicalistas, bloquearam as entradas do centro comercial das 11 às 14 horas. Apoiados por um trio elétrico, protestavam contra o novo horário de expediente aos domingos, três horas superior ao adotado em outros shoppings de São Paulo.

 

Há três domingos, as lojas do Villa-Lobos começaram a abrir do meio-dia às 21 horas, ao invés do expediente adotado em outros shoppings, das 14h às 20h, mas os funcionários reclamam que não estão recebendo mais nada por isso e que não foram consultados. O grupo carioca BR Malls, administrador do centro de compras, diz que o novo horário foi decidido em assembleia com os lojistas e afirma que a “iniciativa inédita” no Estado de São Paulo foi baseada em “pesquisa de comportamento e desejo junto dos clientes”.

 

Para compensar o horário estendido, o shopping passou a sortear almoços, bilhetes de cinema e Ipods entre os funcionários, mas a iniciativa não foi suficiente para motivá-los. “O salário continua igualzinho e tem que trabalhar mais aos domingos, não é justo”, disse Vanessa Silva Bazan, 24 anos, funcionária de uma das lojas.

 

Os trabalhadores organizaram um abaixoassinado contra o novo horário, com cerca de 700 adesões, mas não houve acordo, segundo o Sindicato dos Comerciários de São Paulo. Antônio Cabral, diretor do sindicato, disse que a medida é uma imposição do grupo BR Malls, que supostamente quer testar no Villa-Lobos um novo horário de funcionamento para os shoppings paulistas. “Tem muito dono de loja que também não quer abrir no novo horário, mas se não obedecer, leva multa”, disse.

 

A professora aposentada Ruth Ladeira, 85, foi uma das que chegou a pé ao centro comercial e teve que dar meia-volta. Acompanhada da filha de 58 anos, disse que apoiava a manifestação. “É importante a classe média tomar consciência disso. Se eles conseguirem aplicar esse horário aqui, logo vai se espalhar para os outros shoppings”, disse.

 

O grupo BR Malls informou, por meio de sua assessoria, que o novo horário está de acordo com a legislação vigente e que os direitos trabalhistas dos funcionários são da responsabilidade dos donos das lojas, e não da administradora.

 

O protesto bloqueou a faixa da direita da Marginal Pinheiros e a Polícia Militar acompanhou a movimentação, mas não houve lentidão ou confronto. Às 14 horas, a entrada do shopping foi liberada e os manifestantes se dispersaram.

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