Funcionários e empresas também se queixam

Moradores da capital não são os únicos que se incomodam com a remoção de caçambas de entulho durante a madrugada. Proprietários e funcionários das empresas que prestam o serviço também concordam que seria melhor fazer o trabalho de dia.

O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2011 | 03h02

Empresários ouvidos pela reportagem dizem que orientam os trabalhadores a fazer o mínimo barulho possível e reclamam da forma como são tratados por moradores que se sentem incomodados com o barulho.

"Tem cara que fica da janela do apartamento jogando ovo na gente. Já aconteceu de um sujeito obrigar o motorista a ir embora. E tem gente que chama a polícia", diz o funcionário de uma empresa que pediu para não ser identificado.

A Prefeitura autoriza os veículos que recolhem caçambas e removem entulho a circular dentro da Zona Máxima de Restrição à Circulação de Caminhões, área que envolve parte do centro expandido, entre 10h e 16h e das 21h às 5h. O número de horas é considerado insuficiente pelos empresários.

"De manhã e à tarde, tem muito trânsito. Não dá tempo de pegar o entulho, levar para o aterro, voltar e fazer mais uma ou duas trocas de caçamba. E, se passar um minuto do horário limite, é multa", afirma José Gilmar, de 42 anos, proprietário da Mazinho Remoções. "A gente é praticamente obrigado a trabalhar à noite."

Sugestão. A empresa Transpingo diz que chega a remover entulho de caçambas em dez endereços em um único dia. "Quando a gente troca uma caçamba cheia por outra vazia, leva em média 30 minutos. Não dá para fazer isso durante o dia", diz Rodrigo Martinez, de 25 anos, proprietário da empresa.

Para Gilmar, a Prefeitura poderia rever a restrição a caminhões que transportam caçambas de entulho. "Só trabalho à noite porque é o jeito. Você acha que se pudesse escolher largaria minha mulher e minha filha em casa para trabalhar?" / T.D.

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