Funcionários dizem que cadeira do Hopi Hari tinha defeito

Dois operadores do brinquedo que matou adolescente garantem ter avisado chefe que trava estava com problema e faltava cinto

TATIANA FÁVARO / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

01 Março 2012 | 03h06

As investigações sobre o acidente que matou a adolescente Gabriella Nishimura, de 14 anos, sexta-feira no Parque Hopi Hari, em Vinhedo, teve uma reviravolta ontem. Dois funcionários que trabalhavam no brinquedo La Tour Eiffel, do qual a menina caiu, disseram em depoimento que a cadeira usada pela garota estava com defeito e não poderia ter sido liberada.

Os operadores Vitor Igor Espinucci de Oliveira, de 24 anos, e Marcos Antônio Tomás Leal, de 18, disseram ao advogado Bichir Ale Bichir Júnior que avisaram um superior sobre o fato de a cadeira apresentar problema 15 minutos antes de o brinquedo entrar em funcionamento, mas não obtiveram resposta sobre o que fazer.

Gabriella teria sido a primeira pessoa a usar a cadeira naquele dia. "Eles (funcionários) não têm autonomia para parar um brinquedo. Quem tem não parou. Talvez por visar muito ao lucro", disse o advogado.

O depoimento dos funcionários contraria a versão do Hopi Hari e a principal linha de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado de São Paulo que, após a segunda perícia realizada no brinquedo, na segunda-feira, afirmaram ser maior a possibilidade de falha humana do que mecânica. Na terça-feira, um engenheiro de manutenção do parque, que não teve o nome divulgado, prestou depoimento e disse ao delegado ser impossível uma falha mecânica.

Bichir Júnior não informou qual função ocupava ou o nome deste superior, mas disse que a cadeira deveria ter sido, no mínimo, interditada. "Ou ter um aviso gigantesco: 'Não sente aqui'."

Segundo informaram os funcionários a seu advogado, o problema estaria na trava de segurança e na falta de um cinto que seria um segundo dispositivo de segurança. A cadeira defeituosa, segundo Bichir Júnior, é a primeira à esquerda para quem olha de fora. Extraoficialmente, funcionários do parque disseram no dia do acidente que a cadeira estava desativada.

O Hopi Hari divulgou nota ontem afirmando que "em relação aos novos fatos, o parque reitera veementemente a cooperação absoluta com todos os órgãos responsáveis na apuração definitiva deste caso".

Foto. O advogado Ademar Gomes, que representa a família Nishimura, disse ter anexado ao processo foto de Gabriella sentada na cadeira que, de acordo com informações com as quais trabalhava a polícia até ontem, estaria vazia - a foto não foi divulgada. Gomes disse que vai pedir nova perícia, já que a polícia, segundo ele, analisou a cadeira errada.

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