Funcionário de Cumbica encomendava furtos no aeroporto

Antonio Belarmino de Oliveira, de 50 anos, conhecido como Toninho do Celular, comprava aparelhos por R$ 200 e revendia por R$ 900

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 16h59

SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira, 21, um funcionário do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, acusado de liderar uma quadrilha de assaltantes de bagagem. Antonio Belarmino de Oliveira, de 50 anos, era conhecido como Toninho do Celular entre os ladrões e incentivava os criminosos a roubar aparelhos eletrônicos. Oliveira pagava cerca de R$ 200 por celulares roubados e os revendia por R$ 900. A negociação era feita dentro do próprio aeroporto e os aparelhos eram revendidos em feiras do rolo de Guarulhos ou mediante encomenda. 

A operação para prender o receptador começou no último dia 17 de março, quando os policiais da 3ª Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur) prenderam Anderson Fernando da Silva, de 25 anos, também funcionário do aeroporto. Ele foi flagrado por câmeras de segurança furtando um celular da bolsa de um passageiro que estava dormindo na área do check-in. 


Acusado de furto, ele já tinha sido preso outras duas vezes em Cumbica, em 2014, agindo da mesma forma. Silva também agia no Metrô de São Paulo. Em 2013 e 2014, ele foi preso em flagrante duas vezes e levado para a Delegacia do Metropolitano (Delpom), braço da Deatur no transporte sobre trilhos. Assim como Oliveira, ele trabalhava com serviços de solo no aeroporto. 

"Ele incentivava as pessoas em ter uma meta de furtar até 10 celulares por dia. Eles aproveitam aquelas pessoas que não prestam atenção no que está acontecendo, enquanto o ladrão engatinha e pega o objeto", explicou o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, diretor da Deatur. "Para mim, ele é pior que o ladrão porque incentiva quem vem furtar. Então é um grande marco para a Polícia Civil prender o receptador, que investe no crime", disse. 

Após prender Oliveira com celulares roubados, uma equipe da Deatur foi até a casa dele, também em Guarulhos, e recuperou outros 15 aparelhos de telefone, além de óculos, relógios e um laptop. A polícia acredita que Toninho do Celular faz esse tipo de negócio há pelo menos dois anos. 

Código e casa. A Polícia Civil divulgou áudios em que Oliveira aparece fazendo os pedidos para os criminosos. Como o acusado de receptação é analfabeto, ele se comunicava por mensagem de voz no aplicativo Whatsapp, em vez de digitar os textos. Oliveira e a quadrilha tinha uma espécie de código para realizar as negociações. Ele ficava em um mezanino do aeroporto carregando o celular. Era o sinal de que ele estava pronto para fazer negócios. À polícia, Oliveira disse que usava o dinheiro que lucrava com os furtos na construção de uma casa no Estado da Paraíba. A reportagem não localizou o advogado do acusado. 

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