Funcionária da Casa Vida defende padre Júlio de acusações

Polícia apura denúncia de "ato libidinoso" feita por ex-funcionária que trabalhou com o padre na fundação

Camila Haddad e Felipe Grandi, do Jornal da Tarde,

25 de outubro de 2007 | 14h12

Roseli Lopes Martins trabalha há 13 anos na Casa Vida II e se disse surpresa com as denúncias contra o padre Júlio Lancellotti, que será investigado por suposto "ato libidinoso" com um adolescente, no fim de 1999. A investigação será feita após a denúncia de uma ex-funcionária da casa, que teve o padre entre os fundadores. "Todo mundo quer saber quem é essa mulher. A história é muito estranha", disse, sobre a ex-funcionária que fez as acusações.  A entidade, ligada ao Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, fica na Mooca, na zona leste da capital paulista. Mantido em segredo de Justiça, o depoimento da mulher, que trabalhou na ONG entre 1999 e 2000, foi gravado, mas não deve ser divulgado. A instituição atende a crianças e jovens portadores do vírus da aids, com idades entre 8 e 14 anos.  Roseli, que ainda trabalha no local, saiu em defesa do religioso, que conhece desde que entrou na ONG: "Muitas pessoas estão se aproveitando dele para aparecer." Segundo Roseli, vários jovens que passaram pela Casa Vida têm ligado nos últimos dias, preocupados com Lancellotti. Ela afirmou que, mesmo depois que as crianças deixam a instituição, o padre continua acompanhando a vida dos jovens. "Algumas até chamam ele de pai." Segundo o delegado André Luiz Pimentel, da 5ª Seccional, que investiga o caso, a ex-funcionária contou ter visto Lancellotti acariciar o adolescente. A polícia acredita que o garoto que sofreu o suposto assédio é um ex-interno da Febem, hoje Fundação Casa. "Ela descreve como abuso sexual, mas seria um ato libidinoso. O próximo passo é identificar o menino e chegar à família."Além disso, o padre Júlio Lancelotti também será chamado a depor, mas antes o delegado quer colher mais dados. A pena para esse tipo de crime é de reclusão de 1 a 4 anos. Segundo o padre Juarez Pedro de Castro, secretário de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, d. Odílio Scherer, cardeal de São Paulo, ficou sabendo da acusação contra Lancellotti pela manhã e acredita que a denúncia é "infundada". "D. Odílio reiterou total apoio ao padre Lancellotti", disse. O bispo Pedro Luiz Stringhini, da região episcopal de Belém, zona leste, disse confiar no religioso, que conhece há mais de 30 anos. Para ele, Lancellotti é uma pessoa "pobre" que se viu vítima de um esquema de extorsão. "Ele anda de ônibus e metrô; foi enganado e teve de dar dinheiro sem querer."

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