Reprodução
Reprodução

Fui vítima como as mulheres que atendo, afirma juíza atacada

Magistrada feita refém atua em vara especializada de crimes de violência doméstica; ela disse voltar fortalecida da experiência

O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2016 | 22h28

SÃO PAULO - A juíza Tatiane Moreira Lima, atacada na quarta-feira, 30, falou pela primeira vez sobre o episódio, para o programa Fantástico, da Rede Globo. A magistrada, que atua em uma vara especializada em crimes de violência doméstica no Fórum Butantã, zona oeste de São Paulo, disse ter se sentido como as mulheres que procuram proteção na Justiça. "O que percebi foi que eu estava sendo vítima de violência como as mulheres que vêm todos os dias para as audiências."

Tatiane foi agredida por Alfredo José dos Santos, que invadiu o fórum e dominou a magistrada, despejando gasolina sobre ela e ameaçando incendiá-la. Santos compareceria a uma audiência após sua ex-mulher ter prestado queixa por ameaça e agressão. Em um vídeo gravado a pedido do agressor, ele fala que é inocente e pede para seja repetido que ele não é maluco.

"Não tenho sentimento de rancor. Não tenho sentimento de raiva. Fiquei realmente com pena porque vi ali um ato de desespero", disse a juíza. Ela ficou em perigo por cerca de 20 minutos até que, em um momento de distração, policiais militares conseguiram prender o homem. Ele deverá responder por tentativa de assassinato, incêndio e resistência. 

A magistrada agradeceu o apoio dos colegas, da família e disse ter tido "um grande apoio institucional". Em nota, o Tribunal de Justiça disse "priorizar ao máximo a segurança em seus prédios e a integridade física dos magistrados, promotores, defensores, advogados e servidores". "As circunstâncias desse fato serão apuradas e, se constatadas falhas, medidas corretivas serão tomadas de imediato", acrescentou o órgão.

O fórum chegou a ter as atividades suspensas durante a semana, mas teve o funcionamento retomado na sexta-feira, 1. Tatiane disse não ter ficado com graves consequências físicas da agressão. "Fisicamente, estou bem, com pequenas escoriações. Estava fragilizada, mas passada aquela situação me deu muito mais força para continuar o que estou fazendo, que é uma coisa que eu amo, e lutando cada vez mais pelos direitos das mulheres", disse ao programa.

Ela disse que volta fortalecida: "Não vou me intimidar, não vou me deixar abalar. Tenho mais vontade de atuar nessa área e volto fortalecida dessa experiência."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.