Reprodução
Reprodução

Dois homens me atacaram, afirma transexual 'crucificada' da Parada Gay

Viviany Beleboni disse ter sido vítima de ataques na Bela Vista no sábado, 8; modelo registrou boletim de ocorrência nesta segunda

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 20h26

SÃO PAULO - A transexual Viviany Beleboni afirmou que dois homens foram responsáveis pelo ataque que sofreu na noite do último sábado, 8, na Bela Vista, região central de São Paulo. A modelo, que ficou famosa por ter simulado uma crucificação na última Parada Gay, disse ainda que registrou nesta segunda-feira, 10, o boletim de ocorrência no Departamento de Homicídios e Proteção (DHPP). Os agressores, segundo ela, levavam uma lâmina de barbear. 

Eles teriam atacado a vítima depois de perceberem que era uma transexual. "Eles me chamaram de viado, traveco, demônio", relatou a modelo ao Estado. "Disseram que se eu gostava de crucificação deveria começar a rezar", completou. Um deles a agarrou pelo braço e atirou a modelo no chão. Segundo ela, não houve testemunhas. "Era por volta de oito horas da noite. Estava escuro, só carros passando." A agressão ocorreu em uma rua próxima ao Hospital Pérola Byington. 

A transexual afirma que só percebeu que eles tinham uma lâmina quando o objeto cortou seu braço. "Fui proteger meu rosto e senti o corte. Aí fique desesperada", contou. "Dei socos em um e no outro para sair", completou ela, de 27 anos. Os principais ferimentos, de acordo com Viviany, foram no rosto, no braço e na barriga. Ela viu apenas que os agressores eram jovens, mas não conhece a dupla. 

Viviany ainda disse que não registrou o boletim de ocorrência durante o fim de semana para evitar preconceitos. "Já encontrei um delegado homofóbico uma vez. Tinha medo disso. Hoje (segunda-feira), fiz o boletim com uma delegada muito boa, que me indicaram. Todos foram respeitosos", elogiou. O caso só veio à tona nesse domingo, 9, porque ela publicou um vídeo com a denúncia nas redes sociais. 

Gaúcha que vive em São Paulo há seis anos, a modelo agora pensa em se mudar do País. "Desde a Parada Gay, tive síndrome do pânico, fiquei sem sair de casa. Já perdi trabalhos e minhas contas estão no vermelho", desabafou ao telefone, entre crises de choro. A transexual ainda disse que já foi vítima de outra agressão homofóbica, há quatroa anos. "Não aguento mais." 

Tudo o que sabemos sobre:
transexualhomofobiaparada gay

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.