Fugitivos de UPPs são suspeitos de manter cineasta refém

Murilo Salles e outras nove pessoas ficaram sob a mira de bandidos no feriado; até máquina de lavar foi levada

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2014 | 02h05

A polícia do Rio investiga se bandidos foragidos de favelas onde foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPSs) assaltaram a casa de veraneio do cineasta Murilo Salles, em Araras, Região Serrana, na sexta-feira passada. Ele e outras nove pessoas que passavam o feriado do Dia do Trabalho na casa foram mantidos reféns por sete horas pelo bando.

Os criminosos, armados e encapuzados, chegaram a pé à residência, no Vale das Videiras, por volta das 18h30. Parte dos reféns foi trancada no banheiro; outra, mantida em um quarto. Entre as pessoas havia uma criança de 10 anos. Elas foram ameaçadas e presas até 1h30.

Durante todo esse tempo, os assaltantes retiraram os eletrodomésticos, incluindo utensílios pesados, como a máquina de lavar e o fogão. Eles fugiram nos carros do diretor e de outra pessoa do grupo. Antes, recolheram dinheiro e cartões.

Contactado pelo Estado ontem, Salles, diretor de filmes que tratam justamente da violência urbana, preferiu não dar entrevista. Segundo o inspetor da 106.ª DP Celso Mayo, que participa das investigações, os bandidos não agrediram as vítimas nem demonstraram nervosismo. "Pelos depoimentos, é um grupo profissional. Não estavam nervosos e ficaram muito tempo na casa."

Ele disse que existem duas favelas em que há tráfico de na região, mas ressaltou que os assaltantes provavelmente não vieram dessas comunidades. Tudo indica que saíram de favelas da capital onde a PM sufocou o tráfico.

A área é tranquila e tem casas grandes, de bom padrão, que passam a semana desocupadas - por causa disso, os furtos são mais frequentes do que os roubos. "Ainda assim, são casos raros. Os roubos são mais raros ainda: na média, é um a cada quatro meses", afirmou o inspetor.

A casa não tem câmeras de segurança. Os investigadores procuraram outras delegacias da Região Serrana para levantar casos parecidos.

Como na ficção. Salles tem 63 anos e coleciona prêmios como diretor de fotografia e cineasta. Trabalhou em filmes-chave do cinema brasileiro, como Dona Flor e seus Dois Maridos (1976) e Eu Te Amo (1981). Em Como Nascem os Anjos, ele trata de uma experiência semelhante à que acabou vivendo: uma família é feita refém por horas dentro de uma mansão.

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