Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Fuga da Cracolândia para o interior foi até pela linha do trem

4 pessoas ouvidas pelo ‘Estado’ em Sorocaba relataram ter saído da capital após operação; Campinas intensifica rondas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 03h00

SOROCABA - Da rua para a linha do trem. O morador de rua José Carlos dos Santos, de 59 anos, dormia na frente de uma escola perto da Cracolândia, na região central de São Paulo, quando a polícia chegou, na manhã do domingo, 21. Sem dinheiro, afirma ter seguido para a cidade de Sorocaba caminhando ao lado da linha do trem. Nesta terça-feira, 23, estava deitado na calçada da estação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS).

Santos negou ser usuário de drogas, mas disse que foi acompanhado em seu trajeto por um dependente, que acabou ficando em São Roque. “Não sou noia, sou gráfico, já trabalhei em editora de livro, mas faz muito tempo. Não dá mais para ficar em São Paulo, é muita polícia, é toda hora em cima. Vou para a cidade de Lucélia, quero ver se consigo aposentar. Onde fica a rodoviária? Pode me arrumar uns trocados?”

No total, a reportagem do Estado encontrou nesta terça-feira em Sorocaba quatro pessoas que relataram ter saído da capital paulista após a ação policial do domingo passado. Para o presidente da Câmara de Sorocaba, vereador Rodrigo Manga (DEM), a dispersão do maior ponto de consumo de drogas de São Paulo pode engrossar as minicracolândias existentes no interior paulista.. “Muitos que estão na Cracolândia são do interior. Temos relatos de pessoas de Sorocaba que vivem por lá e, com certeza, essas pessoas voltarão para suas cidades. O poder público precisa agir.” 

Segundo Manga, o município vive uma alta do consumo de crack. “Em 2013, quando a Comissão de Dependentes Químicos da Câmara fez um levantamento, a cidade tinha dez pontos de consumo coletivo de drogas. Hoje são cerca de 50”, afirma o vereador.

Em Sorocaba, os pontos de consumo se espalham por toda a cidade, mas a concentração maior está na região central, incluindo quatro praças públicas – entre elas a Coronel Fernando Prestes, na frente da Catedral e da linha férrea. Procurada, a prefeitura informou que refuta o uso do termo minicracolândia e ressaltou que os locais apresentados pelo presidente da Câmara estão sendo monitorados pela Secretaria de Igualdade e Assistência Social e pela Secretaria de Segurança e Defesa Civil. 

A pasta social mantém buscas ativas em toda a cidade para localizar pessoas em situação de rua ou usuárias de substâncias ilícitas, sendo encaminhadas para ações de assistência. Segundo a nota, não foi observada nenhuma situação atípica desde domingo.

Rondas. Em Campinas, depois da megaoperação na capital, a Secretaria de Cooperação nos Assuntos de Segurança definiu com o comando da Guarda Municipal a intensificação das rondas ostensivas para identificar suspeitos e evitar concentrações atípicas no centro.

Segundo a prefeitura, não há pontos que possam ser considerados minicracolândias na cidade. Moradores, no entanto, relatam áreas de consumo coletivo na frente do Largo do Rosário e na praça do antigo Fórum. 

A prefeitura de São José do Rio Preto confirmou a existência de diversos pontos de venda e de consumo de drogas no município. E, apesar de não haver um monitoramento ou censo das pessoas que frequentam os locais coletivos de uso de drogas, agentes de saúde afirmaram que não observaram um aumento significativo do atendimento a usuários desde domingo.

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