Frutas e legumes às margens do Tietê

Funcionários da limpeza do rio na Grande SP mantêm 'fazendas' até com criação de porcos

Tiago Queiroz, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h01

Abacate, amora, abóbora, banana e cana-de-açúcar dividem o espaço com chuchu, pimenta e feijão andu. Há ainda pés de goiaba, mamão papaia e maracujá. Como um pequeno oásis, o pomar é plantado nas margens do Rio Tietê, em um cenário que, na imaginação de muitos paulistanos, seria um lugar sem vida.

A 'minifazenda' é mantida por funcionários que trabalham todos os dias no desassoreamento do rio. São soldadores, barqueiros, pedreiros e ajudantes que reparam a calha do rio, constroem balsas e dragas e trabalham em uma espécie de estaleiro perto da Barragem da Penha, na zona leste de São Paulo. Nas horas vagas, eles mantêm a horta e alimentam os animais que também criam por ali: galinhas, patos e porcos.

Tudo começou há alguns anos, com um funcionário lembrado apenas pelo primeiro nome: João. Já aposentado, ele trabalhou nas barrancas do rio por mais de 20 anos. Entre uma atividade e outra, plantou algumas árvores frutíferas. E no vai e vem dos homens, a plantação se manteve em plena atividade.

Francisco José Carlos, de 45 anos, operador de lancha, conhecido como Mineiro, é um dos mais empolgados na lida com o campo. O gosto pela roça vem de seus tempos de menino em Santos Dumont, cidade perto de Juiz de Fora, em Minas Gerais. "Trabalhava na Fazenda Lagoa Azul com o gado, tirava leite das vacas. Também ajudava na plantação de arroz e feijão."

Sua rotina é sempre a mesma: de manhãzinha, após tomar o café, enche o capacete vermelho com milho e corre para alimentar galinhas e porcos. No meio da semana passada, chuchus foram coletados e divididos. Os ovos produzidos pelas galinhas e patos são disputados por todos.

Apesar da poluição do rio, Mineiro garante que não há problema algum em consumir o que é plantado ali. "Não, não tem problema. É tudo limpinho", garante, convicto.

Além dele, há outros fazendeiros do Tietê. Janiel Santos da Silva, de 23 anos, auxiliar de solda, ajuda a alimentar as galinhas, mas prefere mesmo cultivar a cana-de-açúcar. Natural do Recife, está há um ano e meio na capital paulista, morando com a irmã.

Na Estrada do Itaim, em Guarulhos, há outra minifazenda, a do Porto do Caqui. Ela é cuidada por Vailton Santos Costa, de 56 anos, que gosta de ser chamado de Aílton, e também trabalha na limpeza do rio. Há quatro anos mora em um canteiro de obras e porto das balsas e dragas.

Natural da Bahia, Aílton trabalhou em fazendas de cacau em Itabuna e Ilhéus, antes de vir para São Paulo em 1976. Em Guarulhos, sua minifazenda tem oito porcos, seis bodes e cabras, trinta galinhas caipiras e dezessete galinhas-d'angola e muitos cães. "A gente vê o povo que mora por aqui, criando seus animais, e fica com muita vontade de ter criação também."

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