Frustrados, 2 mil deixam barracão sem festejar

Expectativa e frustração. Foi esse o clima das cerca de 2 mil pessoas que lotaram a quadra da Mocidade Alegre, no Limão, na zona norte da capital, à espera da definição do título do carnaval de 2012. Por volta das 21h20 - uma hora e meia antes de a Liga decidir que a escola era a campeã -, os torcedores foram informados que a decisão não sairia ontem e que poderiam ir para casa.

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h04

O ritmista Coelho da Cuíca, de 48 anos, lamentou a atitude impensada dos vândalos, que vai "provocar um tsunami no mundo do samba". "Temos o espírito de sambista. O chato é ver a tristeza desse povo aí, que só queria curtir uma batucada."

Com a experiência de quem já viveu muitos carnavais, Antonio Pereira, de 70 anos, da velha guarda da escola, acreditava em uma solução pacífica. "Vai dar tudo certo na reunião dos presidentes. Eles devem decidir com o regulamento e com o bom senso."

Domingas Felix de Oliveira, de 60 anos, é zeladora de santo e integrante da ala das baianas da escola. Ela disse que nada vai tirar o título. "Sabotagem, a gente enterra. Moro no Jaraguá, mas volto para comemorar, se anunciarem que é a campeã."

Da ala dos compositores, Lucas Rafael de Pinho, de 28 anos, lamentou o descuido na segurança, que permitiu que as notas fossem rasgadas. "Infelizmente, a organização foi frágil. A nossa vontade era curtir a festa."

A concentração atraiu até mesmo integrantes de escolas rivais, que saíram frustrados. "Até a gente que não é daqui fica triste com essa situação. Esperava que acontecesse uma festa", disse a passista Camila Francisco, de 27 anos, da Camisa Verde e Branco.

O babalorixá da Mocidade, Pai Tinho de Odé, colocou uma dose de misticismo na espera pelo título, antes de saber da decisão da Liga, no fim da noite de ontem. "Vamos soltar o grito amanhã (hoje), no dia de Xangô. Tinha de acontecer assim. Nada mais apropriado para quem se inspirou em Jorge Amado."

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