Frota aumenta e ainda falta táxi em SP

Inclusão de 1,2 mil veículos não resulta em facilidade para encontrar carros nas ruas; serviço de radiotáxi tem espera de até 50 minutos

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2012 | 03h07

A inclusão, ainda em curso, de mais 1.200 táxis à frota de São Paulo não resultou, por enquanto, em facilidade para encontrar o serviço nas ruas da cidade. No horário de pico, nos principais centros comerciais, ou mesmo fora deles, e nos bairros ainda é preciso paciência para encontrar um carro disponível. A espera pode chegar a 50 minutos.

As dificuldades são duas: quem tenta pegar um táxi na rua esbarra nos congestionamentos, que emperram o fluxo dos táxis - como ocorre com qualquer outro carro. Além disso, quando um deles é encontrado, há chances de já estar ocupado.

Foi o que aconteceu na última quinta-feira, quando o Estado tentou encontrar táxis nas Avenidas Paulista, na região central, Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini, ambas na zona sul, principais centros financeiros da cidade.

"Já estou faz quase uns dez minutos aqui na esquina. Passam vários táxis, mas eles estão cheios", disse a assistente de advocacia Viviam Lima Passos, de 24 anos, na esquina da Paulista com a Rua Pamplona.

Na Avenida Brigadeiro Faria Lima, a reportagem contou oito veículos passando até encontrar o primeiro táxi vazio.

Mas o problema de não encontrar táxi pode acabar quando se vai a um ponto. Todos os 11 percorridos na última quinta-feira tinham veículos disponíveis para quem estivesse disposto a uma caminhada até lá.

A exceção foi um ponto no final da Faria Lima, na esquina com a Avenida Hélio Pellegrino. E, mesmo lá, um dos carros do ponto apareceu em cinco minutos. A cidade tem cerca de 2.300 pontos nas cinco regiões.

Radiotáxi. Outra questão ainda não solucionada foi a utilização das empresas de radiotáxi. A cidade tem 46 empresas autorizadas a explorar o serviço.

A reportagem fez quatro chamados em cada um dos endereços visitados. Oito dos pedidos foram atendidos em até 20 minutos. Em um dos casos, a previsão dada pela empresa foi de 50 minutos. E em apenas um dos chamados a resposta foi que não havia previsão para atendimento.

"Não é que falta táxi. Acontece que o trânsito é muito travado. A gente fica justamente nessas regiões centrais, mas demora para chegar porque não dá para atravessar o congestionamento", disse o taxista de uma das empresas, de 42 anos.

Fora do horário de pico, o desafio é outro nos bairros residenciais. As empresas reduzem o número de veículos disponíveis e a espera tende a ser ainda maior.

A reportagem acompanhou uma mulher que solicitou um chamado em Pinheiros, na zona oeste, perto das 23h de quinta-feira. A resposta que teve da empresa é que não havia previsão para atendimento. Ela aguardou a empresa telefonar de volta, o que demorou cerca de 30 minutos. E, quando houve o contato, a previsão foi que seriam necessários mais 20 minutos até que o carro aparecesse.

Ampliação. Em dezembro de 2010, reportagem do Estado relatava a falta de táxis em shoppings, rodoviárias a até em aeroportos. Naquela ocasião, a espera chegava a uma hora.

Em junho do ano passado, a Prefeitura autorizou a inclusão de mais carros à frota, por meio de sorteios feitos pela Loteria Federal. Foi a primeira vez que a frota aumentou em 15 anos: o último sorteio de vagas havia ocorrido em 1996.

Além de aumentar a frota, a Prefeitura afirma ter feito 97.734 fiscalizações em táxis apenas no ano passado - na média, cada táxi foi fiscalizado por três vezes no ano. O resultado foi a aplicação de 9.526 multas por motivos que variam de recusa a corridas, falta de conservação do carro e descumprimento de regras. Além disso, a Prefeitura afirma ter retirado 486 táxis clandestinos de circulação só em 2011.

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