Fronteiras: 3 vezes mais apreensões que no Rio

Sentinela ainda impede chegada de armas a facções, muitas vezes vendidas irregularmente por fabricantes nacionais

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2010 | 00h00

Nos primeiros sete meses da Operação Sentinela, desencadeada desde 10 de março em caráter permanente na fronteira do Brasil, as Polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) apreenderam 143,7 toneladas de maconha e cocaína. É um número três vezes e meio maior que as 40 toneladas de drogas apreendidas no Rio após a tomada da Vila Cruzeiro e do Alemão.

No mesmo período, a operação apreendeu 1.115 armas de fogo de todos os calibres, incluindo fuzis, metralhadoras e granadas, muitas delas destinadas a facções criminosas do Rio e de São Paulo. A contabilidade das baixas no crime organizado inclui ainda 543,9 mil pedras de crack e 137,4 mil munições. O governo federal ampliou o cerco de fronteira para evitar que suprimentos de drogas e armas cheguem aos traficantes. 

 

Veja também:

linkPreso suposto chefe do tráfico na Favela da Fazendinha, no Alemão

mais imagens Veja fotos da onda de ataques no Rio

especialINFOGRÁFICO - O mapa das facções cariocas

tabela CRONOLOGIA - A crise de violência carioca

 

 Algumas ações foram espetaculares. Numa delas, em 1.º de setembro, a PF apreendeu, em Foz do Iguaçu, um carregamento de armas e munições de grosso calibre que iria para o Rio. Escondida em um fundo falso dentro de um motorhome, uma caixa continha 7 fuzis, 5 pistolas, 100 carregadores para fuzil e 40 granadas. Por pouco os policiais não foram vítimas de um atentado. Os bandidos haviam montado, de propósito, uma granada sem pino que deveria ser acionada assim que a caixa fosse aberta. Por pura sorte, eles abriram a caixa pelo lado oposto.

A PF e a PRF sabem que alguns fabricantes brasileiros de armas vendem clandestinamente seus produtos a comerciantes de cidades limítrofes, como Pedro Juan Caballero e Capitán Bado, no Paraguai. Essas armas voltam ao território brasileiro, compradas por facções criminosas, como o Comando Vermelho, do Rio, e o Primeiro Comando da Capital.

Drogas. O levantamento da PRF registra detalhadamente o crescimento expressivo nas apreensões de maconha (73%), cocaína (50%), crack (62%) e munições (13%), em relação a igual período de 2009. Paradoxalmente, houve redução de 20% nas apreensões de armas. O órgão acredita que uma das razões seja o maior nível de organização dos traficantes de armas, que mudaram rapidamente a rota quando o cerco começou.

A PF não tem base comparativa de dados com o mesmo período do ano anterior, mas sabe, pontualmente, que também houve aumento nas apreensões. Em Foz do Iguaçu, Paraná, principal porta de entrada da maconha oriunda do Paraguai, a PF aumentou em 600% as apreensões da droga entre março e julho. Em Guaira (PR), as apreensões duplicaram. Houve crescimento também nas apreensões no Acre e no Amazonas.

Conforme o levantamento das duas instituições, mais de 90% das apreensões aconteceram nos Estados de Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, por onde entra quase toda a droga proveniente do Paraguai (maconha) e Bolívia (cocaína). Esses dois países têm com o Brasil uma linha de fronteira seca de 4,7 mil quilômetros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.