Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Frio já matou cinco moradores de rua em SP, segundo pastoral

Mais um corpo foi encontrado no Bom Retiro; duas outras vítimas foram achadas em Santana, uma no Belenzinho e uma na Paulista

Felipe Cordeiro e Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 22h52

SÃO PAULO - Mais um morador de rua foi encontrado morto em São Paulo, em consequência das baixas temperaturas. Ao menos cinco sem-teto já morreram em junho em consequência do frio na capital paulista, segundo a Pastoral do Povo da Rua.

O quinto corpo foi encontrado na tarde de hoje, na Rua Amazonas, no Bom Retiro, região central, de acordo com a entidade ligada à Arquidiocese de São Paulo. Segundo a entidade, além de corpos encontrados na Avenida Paulista e no Belenzinho, na zona leste, mais duas vítimas foram achadas na região de Santana, na zona norte.

De acordo com o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, a última vítima encontrada, na Rua Amazonas, no Bom Retiro, foi identificada como Naílson Paulo Batista, de cerca de 52 anos. 

Segundo Lancellotti, o morador de rua começou a passar mal e provavelmente teve convulsões, por volta das 14 horas, quando o Samu foi chamado. "O Samu só chegou às 18 horas e constatou o óbito", disse Lancellotti ao Estado. De acordo com ele, o corpo continuava na rua às 23 horas. 

"Chegamos aqui há mais de uma hora, mas o corpo continua no local. O rabecão do IML ainda não chegou", afirmou. Ele afirma que a causa da morte foi mesmo o frio. 

"É dramático ver que a própria prefeitura não confirma que nenhum dos quatro moradores tenha morrido por causa do frio. Os exames necroscópicos não constatam, de fato, morte por frio, o resultado será insuficiência cardiorrespiratória aguda, ou algo assim. Mas todas essas pessoas estavam dormindo em cima de um papelão, com um cobertor bastante frágil. Todas as mortes ocorreram sob temperaturas muito baixas", afirmou.

De acordo com a pastoral, as duas pessoas encontradas em Santana ainda não foram identificadas. "Tudo leva a crer que a causa próxima da morte deles foi o frio", disse, em nota, a entidade. "Aos poderes públicos, apelamos a que se realizem ações emergenciais de socorro aos moradores de rua durante os dias frios e se promovam políticas estáveis e permanentes para assegurar a dignidade dessas pessoas."

Mortes. Neste domingo, 12, o morador de rua Adilson Roberto Justino, cuja idade não foi divulgada, foi achado morto na calçada da Avenida Paulista, sem sinais de violência física.

Segundo uma testemunha, o morador de rua morreu após apresentar convulsões. O local passou por perícia e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para que seja determinada a causa da morte.

Na sexta-feira, 10, João Carlos Rodrigues, de 55 anos, foi encontrado por seguranças do Metrô morto na rampa de acesso à Estação Belém. O corpo não apresentava sinais de violência. A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do município informou que ele não teve nenhuma passagem pelos centros de acolhida de São Paulo. 

Segundo a secretaria, apenas nos arredores do Metrô Belém, são feitas, em média, três abordagens para oferecer acolhimento a moradores de rua. Ainda segundo a pasta, desde o dia 15 de maio, foram registrados mais de 240 mil acolhimentos pelos programa Operação Baixas Temperaturas. Apenas na madrugada de sexta-feira, foram 10.963 acolhimentos. 

A Operação Baixas Temperaturas é colocada em ação quando há registro de temperaturas abaixo de 13ºC. Nesses dias, em caráter excepcional, as vagas nos Centros de Acolhida são ampliadas de acordo com a demanda. 

Frio recorde. A capital paulista registrou 3,5ºC de temperatura mínima na madrugada desta segunda-feira, 13, na estação meteorológica do Mirante de Santana, a menor em 22 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O valor é o mais baixo desde 10 de julho de 1994, quando os termômetros marcaram apenas 0,8ºC.

Ainda de acordo com o Inmet, o recorde de frio anterior tinha sido registrado na sexta-feira, com 5,5ºC. Em toda a série histórica do instituto, a menor temperatura vista na capital foi de -2,1ºC, em 2 de agosto de 1955.

No amanhecer desta segunda-feira, houve relatos de geada em diversos bairros da capital e de cidades da região metropolitana.

Temperatura negativa. O Inmet também registrou a menor temperatura do ano no Estado: -3,6ºC em Barra do Turvo, no Vale do Ribeira. A mesma cidade havia tido -2,9ºC neste domingo.

Em Campos de Jordão, houve registro de geada forte com mínima de -1,1°C. Já em Rancharia, no Vale do Paranapanema, a mínima foi de -2,6ºC, a segunda menor do Estado. Também foram registradas temperaturas negativas em São Miguel do Arcanjo (-2,5ºC) e São Luís do Paraitinga (-1,7ºC).

Mais conteúdo sobre:
Pastoral Rua Morte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.