Friburgo agora sofre com leptospirose

Há 46 casos notificados da doença e cinco confirmados; crianças tiveram problemas gástricos e prefeitura teme males respiratórios

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

Após a tragédia que deixou 840 mortos e 518 desaparecidos, as cidades da região serrana do Rio enfrentam agora as doenças. A secretária de Saúde de Nova Friburgo, Jamila Callil Salim Ribeiro, confirmou ontem que há um surto de leptospirose no município, com 46 casos notificados e cinco já confirmados.

Anteontem, no abrigo, 19 crianças tiveram gastroenterite e cinco permanecem internadas. Jamila disse esperar "um longo período de doenças infecciosas" na cidade e pediu paciência à população, pois o principal hospital de Friburgo ainda funciona precariamente por causa do alagamento.

Sete pessoas estão internadas com sintomas de leptospirose, doença transmitida pela urina de ratos. Quatro estão em hospitais públicos e três em clínicas particulares. "Os pacientes com leptospirose tiveram contato com água da enchente nos primeiros dias após a tragédia. Os sintomas se manifestam em 2 a 3 semanas, com febre alta e dores musculares intensas, principalmente na panturrilha. A população deve ter cautela no consumo de água", afirmou a secretária. Ela não descarta ainda a possibilidade de um surto de doenças respiratórias por causa da poeira acumulada.

Ações. A prefeitura da cidade tenta acelerar as remoções diante da previsão de chuva para a próxima semana. Ontem, o Ministério Público do Rio disse que propôs, desde 2003, 21 ações civis públicas relacionadas a áreas de risco em Nova Friburgo. Dezenove obtiveram liminar da Justiça determinando levantamentos, obras e até remoções em locais que foram afetados pelas chuvas deste ano. Segundo o MP, parte das decisões da Justiça não foi cumprida e em outros casos houve recurso.

O MP do Rio obteve liminares que obrigavam a prefeitura a reflorestar e até a remover famílias nas áreas de risco de vários bairros. Segundo os promotores, na Rua Sílvio Henrique Braune, na subida para o teleférico, área turística da cidade, não foram realizadas as obras determinadas pela Justiça, em 2008. O local foi destruído pelo deslizamento.

Na área de Vila Nova, a Justiça determinou, em janeiro de 2007, que o município mantivesse a interdição dos imóveis em áreas de risco, removesse moradores, impedisse novas invasões e fizesse obras contra deslizamentos. A prefeitura foi intimada diversas vezes por descumprir a medida. Também não foram realizadas obras em São Geraldo para a retirada de blocos de rocha, como determinado em 2003.

O MP ainda recorreu de uma sentença de agosto de 2010 que julgou improcedente o pedido para obras de contenção na Rua Anchieta, no centro.

O secretário de Comunicação Social de Nova Friburgo, David Massena, informou que a Procuradoria do Município faz levantamento para checar se as informações do Ministério Público são verdadeiras.

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