Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

3 suspeitos são presos por furtar celulares em arrastão na Paulista

Um adolescente de 13 anos foi apreendido; vítimas relataram ter tido pertences levados pelo grupo neste domingo, durante tumulto

Felipe Cordeiro, Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 08h26
Atualizado 21 de janeiro de 2020 | 00h31

SÃO PAULO - Três rapazes, de idades entre 18 e 19 anos, foram presos e um adolescente, de 13, apreendido, suspeitos de furtar celulares durante um arrastão na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, na tarde deste domingo, 19. Durante a ação, ninguém ficou ferido, mas há relatos de tumultos.

Imagens de câmeras de segurança de um prédio que fica ao lado do Museu de Arte de São Paulo (Masp) mostraram o momento em que pessoas - entre elas adolescentes - saíram correndo em direção à entrada do edifício. De outro ângulo, as imagens registraram muitas pessoas correndo pela Rua Plínio Figueiredo, que fica entre o prédio e a lateral do Masp. Confira vídeo abaixo:

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, nove pessoas compareceram ao 78º Distrito Policial (Jardins) e relataram que passeavam pela Paulista quando foram abordadas por um grupo que levou pertences, principalmente aparelhos celulares. A SSP afirma que os criminosos se aproveitaram de uma aglomeração de pessoas na região. Outra pessoa fez o registro policial em Bragança Paulista, no interior, cidade onde mora. 

As vítimas pediram ajuda aos policiais militares e guardas civis que patrulhavam a região. Três foram detidos pela PM e outro pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). Os suspeitos foram conduzidos ao 78º DP, onde foram reconhecidos.

O caso foi registrado como furto, associação criminosa, ato infracional. O adolescente foi liberado para o responsável, e os maiores de idade encaminhados para audiência de custódia.

Confira relatos

Wagner Martins, de 37 anos, segurança de prédio:

"Eram 17h38 quando as câmeras de segurança do prédio localizado ao lado do Masp, onde eu trabalho, começaram a registrar o tumulto provocado por adolescentes que se encontraram para fazer um arrastão e furtar celulares de quem frequentava a Avenida Paulista na tarde deste domingo. Muitas pessoas correram em direção a entrada do prédio. Eu estava na recepção quando me deparei com a multidão de pessoas. Um turista do Rio de Janeiro pediu socorro porque teve o celular furtado e tinha se perdido da família. Eu mandei mensagem para a esposa dele, que felizmente estava com o aparelho dela. No início da tarde, achei estranho a presença de muitos adolescentes entre 15 e 17 anos nos arredores do Masp. Parecia rolezinho. Até colocamos as grades de segurança em frente a entrada do prédio, por precaução."

Eduarda Moreira, de 22 anos, que trabalha na banca de jornal na esquina com a Rua Peixoto Gomide:

"Era uma jovem. Entrou assustada na banca dizendo que tinham levado seu celular. Estava no bolso da calça.Tentamos ligar para ele e deu caixa postal. Vi muita gente passando correndo. Fechamos a banca na hora porque deu medo ver todo mundo correndo e gritando."

Érick Guilherme, que há três anos trabalha em uma banca de jornal da região:

"Sempre tem muito policiamento no domingo de lazer. Mesmo assim teve arrastão. O público  que frequenta a região aos domingos mudou no último ano. De manhã é mais família e depois das 15h observo mais adolescentes em busca de baderna."

Aposentada Magali Franciolli, de 82 anos, que mora na região há  50 anos:

"Muita bagunça agora, diferente de quando começou. Totalmente diferente, mesmo com policiamento."

Taxista Gilberto Soares, que trabalha há quase 22 anos na região da Paulista:

"Eu não estava no momento do arrastão, mas soube por conhecidos que foi um momento bastante tenso. "Foi um tumulto envolvendo mais de 500 pessoas. Muita gente correndo e gritando 'pega ladrão'. Muitos eram adolescentes."

Segurança

Diante do acontecido no domingo, a Associação Paulista Viva afirma que é a favor do Projeto Ruas Abertas, mas cobra a atuação mais efetiva das autoridades. "Tanto a Polícia Militar quanto a Guarda Civil Metropolitana deveriam implementar suas presenças físicas, de modo a aumentar a sensação de segurança preventiva à população".

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) afirmou que mantém tratativas constantes com o comando de policiamento responsável pela área, mas que a ocorrência de domingo reforça a necessidade de reformulação nas ações preventivas. "No último domingo, foi a primeira vez que se registrou uma ocorrência com essas características, o que demandará novos planejamentos conjuntos entre a PM e a GCM", disse em nota.

Segundo a SSP, o policiamento na região da Avenida Paulista é realizado diariamente pela Polícia Militar, por meio de rádio patrulhamento e rondas com motocicletas, bicicletas e a pé. "O 11º Batalhão da PM, responsável pela área, analisa permanentemente os indicadores criminais para reorientar as estratégias de combate ao crime, razão pela qual reforça a importância do registro de boletim de ocorrência pelas vítimas", afirmou em nota.

De janeiro a novembro do ano passado, 1.341 pessoas foram presas na região. 

Paulista aberta

Aos domingos e feriados, a Paulista é uma das principais áreas de lazer da capital e atrai uma multidão de paulistanos. A via fica aberta para pedestres e fechada para carros entre as 10 horas e as 18 horas.

A primeira vez que a avenida foi aberta ao público foi em agosto de 2015, durante a inauguração da ciclovia no canteiro central da via. Em junho do ano seguinte, o fechamento da Paulista para carros aos domingos se tornou definitivo, com a regulamentação do Programa Ruas Abertas

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