Sebastião Moreira/Estadão
Sebastião Moreira/Estadão

Irmão de Suzane von Richthofen é internado em clínica de recuperação

Quinze anos após tragédia familiar que consternou o País, Andreas foi detido em surto, ao tentar pular muro de casa; nos dias anteriores, foi visto na Cracolândia. Ele estava sujo, com roupas em frangalhos e múltiplos ferimentos

Alexandre Hisayasu e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 23h44
Atualizado 31 Maio 2017 | 08h05

SÃO PAULO - A tragédia da família Richthofen teve nesta terça-feira, 30, um novo episódio. Andreas, de 29 anos, foi abordado pela polícia ao pular um muro, aparentemente em surto psicótico, e acabou hospitalizado e, posteriormente, internado. Formado em Farmácia e doutor em Química Orgânica pela Universidade de São Paulo (USP), ele teria se tornado um frequentador da Cracolândia. O sobrenome Richthofen tornou-se conhecido no Brasil em 2002, quando Suzane, irmã de Andreas, planejou a morte do pai e da mãe, na casa onde moravam, no Campo Belo, zona sul paulistana.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Richthofen foi flagrado pela polícia em Santo Amaro, na zona sul, e encaminhado ao Hospital Municipal do Campo Limpo, também na zona sul. O caso foi revelado à tarde pelo site do jornal O Globo.

Segundo a Prefeitura, no dia anterior, Richthofen havia sido abordado na região Cracolândia por equipes da Secretaria Municipal da Saúde. A ele, foram oferecidos cuidados e tratamento médico, mas o rapaz recusou. Richthofen estaria frequentando a Cracolândia. O local seria usado por ele como ponto de abastecimento, para compra de drogas, de acordo com fontes oficiais. 

Após a megaoperação policial do dia 21, os viciados se dispersaram em mais de 20 pontos da capital. No entanto, a maior parte continua a reunir-se na Praça Princesa Isabel, cuja frequência já se assemelha à do antigo “fluxo”.

Ao ser detido nesta terça por policiais, Richthofen estava completamente desorientado e falou que estaria agindo sob ordens de um “imperador”.

A médica que o atendeu na zona sul, às 8h30, relatou que os sintomas eram condizentes com “abuso de substâncias ilícitas”. Richthofen estava sujo, com os cabelos compridos, roupas em frangalhos e tinha também múltiplos ferimentos pelo corpo.

O médico Miguel Abdala, tio de Richthofen, chegou ao Hospital do Campo Limpo por volta das 21 horas e foi informado por uma médica que o jovem estava bem. Ele já havia sido transferido para um leito psiquiátrico de longa permanência na clínica particular de recuperação São João de Deus, conveniada com a Prefeitura e destacada para receber internações de usuários de drogas da Cracolândia, no âmbito do programa Redenção.

Na saída do hospital, Abdala não quis falar sobre o caso. Disse apenas que também estava em busca de informações sobre o sobrinho. Da mesma forma, a advogada de Andreas Richthofen, Maria Aparecida Evangelista, informou que ninguém da família se pronunciará sobre o caso por enquanto.

A tragédia

Herdeiro do nome e da tradição de uma antiga família nobre europeia, o engenheiro alemão Manfred Albert von Richthofen e a mulher, a psiquiatra Marísa, foram assassinados a golpes de barra de ferro em sua casa em 31 de outubro de 2002.

O crime chocou São Paulo e o Brasil e deixou uma imagem que se mantém na memória de muitos até hoje: um jovem adolescente loiro de 15 anos, ao lado da irmã, em prantos. A história ganharia requintes de crueldade nos dias seguintes, quando Suzane acabou presa pelo crime. Ela foi condenada a 39 anos por planejar o assassinato da família, ao lado do namorado e do cunhado, Daniel e Cristian Cravinhos, e cumpre pena na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé.

Entrevista e carta

Por 12 anos, Andreas evitou falar em público sobre a tragédia. Só quebrou o silêncio em uma entrevista à Rádio Estadão, em 6 março de 2015. Nela, não quis mencionar a irmã. Em carta posterior, ele classificou o crime como “nojento” e chamou a irmã e os outros dois acusados de assassinos. Andreas também dava sinais de que nunca a perdoará. Dizia que entendia “a raiva e a indignação contra os assassinos”. “Muito da sociedade compartilha desse sentimento. Eu também.”

À Rádio Estadão, Andreas afirmou que se sentia ferido toda vez que a imprensa divulgava informações “sobre a morte dos pais, sobre os assassinos ou os desdobramentos do caso”. Na entrevista, disse também que não imaginava ter filhos algum dia, por causa da responsabilidade, e pensava em deixar o Brasil. A justificativa era “o peso” do sobrenome Richthofen.

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