Frente fria se afasta e chuva forte só no feriado

Baixa umidade relativa do ar deixa São Paulo há 8 dias em estado de alerta ou atenção - a maior sequência dos últimos dez anos

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

A cidade de São Paulo enfrenta a maior sequência de dias secos dos últimos dez anos. Há oito dias, os paulistanos vivem sob umidade relativa do ar inferior a 30%, o que configura estado de atenção. Em algumas tardes, esse índice chegou a alerta, com valores inferiores a 20%. Com o afastamento da frente fria que se aproximava do Estado, essa sequência ainda deve ser ampliada, porque a previsão é de chuva só para o 7 de Setembro.

O Estado obteve dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) sobre a umidade nos meses de junho, julho e agosto, desde o ano 2000 até ontem. De acordo com os meteorologistas, a umidade cai drasticamente no inverno e muito raramente em outras estações.

Os índices do levantamento são da medição manual da estação do Mirante de Santana, zona norte, sempre às 15 horas. Conforme essa medição - usada oficialmente n as comparações históricas -, a capital já esteve sob situação de estado de alerta em apenas nove vezes nos últimos dez anos: 2000 (1), 2001 (1), 2003 (3) e 2007 (2) e 2010 (2). Na medição automática - que é usada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) -, somente neste ano foram registrados níveis abaixo de 20% ao longo de toda semana.

Ontem, a umidade do ar neste parâmetro foi de 14% - a menor do ano ocorreu na quarta-feira, 13%. O índice ficou apenas a dois pontos porcentuais do nível considerado de emergência (12%), em que se recomenda até interrupção de atividades ao ar livre, por causa dos riscos à saúde.

O ano de 2006 foi o que mais se aproximou da situação atual dos paulistanos. O inverno daquele ano teve dez dias em estado de atenção, mas não em sequência - o que ameniza a sensação de incômodo. Além disso, em nenhum dia a umidade do ar foi menor que 20%.

Mesmo em meses que não registraram chuvas, como em agosto de 2007, a condição do ar ficou melhor. Apenas dois dias tiveram ar seco em nível abaixo de 30% naquele período. Em agosto de 2009, quando houve o recorde de 10% de umidade relativa do ar, apenas quatro dias ficaram sob estado de atenção.

De acordo com o meteorologista Luiz Cavalcanti, do Inmet, uma grande massa de ar seco tem dificultado o avanço de frentes frias. "Provavelmente, essa forte massa seja uma influência do fenômeno La Niña, que resfria as águas do Oceano Pacífico e altera a circulação dos ventos no mundo todo", explica.

8%. Ontem, a cidade de Presidente Prudente, no extremo oeste, registrou 8% de umidade e o atendimento nos centros médicos 24 horas cresceu 100%. Em outros 11 Estados e Brasília, a umidade ficou abaixo dos 30%. / COLABOROU SANDRO VILLAR, ESPECIAL PARA O ESTADO

PRESTE ATENÇÃO

1. Hidratação é essencial. Beba muita água (ao menos 2 litros por dia), para evitar o ressecamento das mucosas.

2. Em casa, coloque bacias com água nos cômodos para reduzir a sensação de desconforto. Evite ambientes com ar condicionado, que diminui a umidade do ar.

3. Não pratique atividades físicas e evite a exposição ao sol entre as 11 horas e as 16 horas.

4. Evite banhos longos e quentes, pois eles ressecam a pele. Use hidratantes e sabonetes com glicerina. Para os cabelos, os médicos recomendam o uso de condicionadores.

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