Frente fria não livra interior do ar seco

Já a capital deve ter aumento de umidade. Ontem, a qualidade do ar foi[br]classificada como 'má' em oito das 18 estações da Grande São Paulo

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Pior. SP registrou mais baixo índice de umidade na sexta: 12%            

 

 

 

 

 

A passagem de uma frente fria pelo litoral promete elevar hoje a umidade do ar em São Paulo e interromper uma sequência de 11 dias de ar seco em níveis considerados de alerta e atenção. Os ventos úmidos que trazem alívio aos paulistanos não vão chegar, entretanto, às cinco cidades do interior que registraram estado de emergência - com umidade abaixo de 12%. Em Presidente Prudente, na estação do aeroporto, esse índice chegou a 6%, o menor desde 1969.

Segundo a meteorologista Bianca Lobo, da Climatempo, a frente fria passa pelo oceano e o vento carrega a umidade até a capital. "A condição vai ficar um pouco melhor, mas ainda não é apropriada. E amanhã a situação já piora de novo", diz Bianca. "Mas os ventos não têm força para alcançar o interior."

A expectativa para esta tarde na capital é de umidade em torno de 30% a 40% - índice acima do estado de alerta, mas longe do adequado à saúde: 60%.

Ontem, mais uma vez a Defesa Civil declarou estado de atenção por causa do ar seco. O índice chegou a 22%. Mesmo no domingo, em que a circulação de carros é menor, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) registrou o ar poluído pelo 10.º dia seguido. Oito das 18 estações de medição de qualidade do ar na Região Metropolitana tiveram classificação "má". Outras três foram classificadas como "inadequadas".

O ar seco e a poluição provocam incômodos na boca, nariz e olhos, além de agravar problemas de saúde. Em níveis críticos, a recomendação é evitar a prática de atividades ao ar livre entre 10 e 14 horas. Na sexta-feira, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) cogitou endurecer as restrições aos veículos.

Interior. Em Presidente Prudente, a umidade chegou a 6%, medida pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) na estação do aeroporto - o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) anotou índice de 11% na cidade. Os níveis baixos dobraram o número de atendimentos médicos. "Estamos atendendo mais de 400 pessoas por dia", afirma a enfermeira Jusimara de Araújo Kolomar, que trabalha na maior unidade de saúde do município. A prefeitura deve reunir hoje o secretariado para definir medidas a serem adotadas.

As cidades de Pradópolis, Rancharia, Valparaíso, Votuporanga e Presidente Prudente registraram níveis de umidade entre 10% e 11%, segundo o Inmet. Barretos e Jales ficaram no limite da emergência, com 12%. Em Sorocaba, o índice de umidade foi de 15%, mas a falta de chuvas ameaça o abastecimento. Após 45 dias sem chuva, o Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) admitiu a possibilidade de faltar água nos bairros mais elevados.

Fogo. Até as 21 horas, os bombeiros tinham apagado mais de 20 focos de queimadas em Sorocaba. Em Votorantim, quem for flagrado ateando fogo a lixo ou mato será autuado por crime ambiental. Na capital, foram 35 ocorrências de incêndio em vegetação. / COLABORARAM JOSÉ MARIA TOMAZELA E SANDRO VILLAR

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