Frente a frente com Luiz Mott, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia

1. O SUS deve pagar por essas cirurgias?

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2013 | 02h04

A transexualidade é classificada pela Organização Mundial de Saúde como uma patologia e, portanto, tem como cura a redesignação genital. Por mais que pareça para alguns uma extravagância, as pessoas transexuais são pacientes e sofrem grave constrangimento psicológico e problemas de inserção social. Assim, é mais do que justificado que o SUS realize tais operações, assim como paga reconstituição de seios em mulheres que tiveram câncer, que também não é uma cirurgia vital.

2. O que acha da redução da idade para início do tratamento?

O grande diferencial é propor esse tratamento hormonal para controlar na puberdade hormônios indesejados. Temos nos Estados Unidos e na Europa casos de pré-adolescente oficialmente aceitos e levados a assumir seu verdadeiro gênero. Se a inconformidade é persistente por anos, tendo acompanhamento de equipe médica multidisciplinar, temos de evitar o dano do desenvolvimento inadequado.

3. Existe a necessidade de outro tipo de assistência?

É necessário que essas novas medidas sejam acompanhadas de ações para humanizar mais o estilo de vida dos travestis. De uma população de 500 mil travestis, 90% vivem de prostituição. Além disso, a chance de um deles ser assassinado é centenas de vezes maior.

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