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Fraude em SP: servidores tinham apartamentos de luxo, barcos e até pousada

Quatro auditores fiscais da Prefeitura foram presos nesta quarta após investigação apontar desvios de até R$ 500 milhões para a liberação de imóveis na capital

O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2013 | 12h52

SÃO PAULO - Os quatro servidores municipais presos na manhã desta quarta-feira, 30, acusados de integrar uma quadrilha que desviou até R$ 500 milhões dos cofres da Prefeitura, construíram um patrimônio de R$ 20 milhões e têm uma lista de bens repleta de imóveis de luxo, automóveis caros e barcos. O levantamento foi feito pelo Ministério Púbico, em parceria com a Controladoria Geral do Município.

De acordo com as investigações, os quatro auditores fiscais chegaram a receber R$ 2 milhões em um mês de duas construtoras e atuaram entre 2007 e 2012, durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab. A apuração mostra que eles cobravam propina para permitir a quitação do Imposto sobre Serviços (ISS). O documento é fundamental para que as construtoras consigam o habite-se e a liberação de seus empreendimentos.

O dinheiro era depositado na conta de uma empresa, registrada em nome de dois dos investigados. No cruzamento dos dados foi possível detectar que uma construtora recolheu R$ 17,9 mil numa guia de ISS e no dia seguinte depositou R$ 630 mil na conta dos auditores.

Entre os bens do grupo, estão imóveis e automóveis de luxo, flats, barcos, uma pousada em Visconde de Mauá, na região serrana do Rio, e até uma lotérica. Um dos auditores tem, sozinho, mais de 30 imóveis. Os bens são incompatíveis com os rendimentos mensais dos servidores, de cerca de R$ 18 mil.

Na operação desta quarta-feira também foram apreendidos motos e carros importados, dinheiro (reais, dólares e euros), documentos, computadores e pen-drives. A Justiça determinou o sequestro dos bens.

A operação ocorreu na capital paulista, em Santos e também em Cataguases, Minas Gerais. Foram mobilizados mais de 40 pessoas, entre Promotores de Justiça, agentes da Controladoria Geral do Município, e das Polícias Civis de São Paulo e de Minas Gerais.

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