Fraude em Peruíbe tirava pontos de carteiras de motorista

Delegado, funcionária e despachantes são alvos de operação do Detran; além de limpar os pontos, grupo cancelava multas

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2010 | 00h00

Mais uma Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) foi alvo de uma operação deflagrada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Desta vez, a operação flagrou a unidade de Peruíbe (SP) como centro de um esquema criminoso de transferência de pontos e anulação de multas que contaria com a participação de policiais, funcionários da Ciretran e despachantes.

Por enquanto, os homens do Detran e o promotor Cássio Conserino, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), conseguiram encontrar provas contra cerca de 400 motoristas que pagaram para retirar pontos de suas carteiras. Todos devem responder a processo por corrupção passiva.

O Detran descobriu que uma funcionária da Ciretran era uma das principais "hospedeiras" de pontos no Estado. Hospedeiros são pagos para assumir infrações de outras pessoas. "Nosso setor de inteligência verificou no sistema que ela tinha 10 mil pontos na carteira", afirmou o delegado Carlos José Paschoal de Toledo, diretor do Detran.

Quando o esquema foi detectado, em maio, o delegado responsável pela Ciretran, Bruno Jacinto de Almeida Junior, foi afastado. Mas as fraudes continuaram. Os investigadores continuaram vigiando a funcionária Cláudia Maria Gavazzi.

Até que ontem de manhã, com ordem judicial, a força-tarefa do Detran, Gaeco e da Corregedoria da Polícia Civil fez buscas na Ciretran e nas casas dos delegado e da funcionária. Pelo que foi apurado até agora, Cláudia usaria a senha do delegado para transferir pontos para sua CNH e anular multas - sabe-se até agora que R$ 115 mil em multas foram canceladas dessa forma.

Cláudia e o delegado negam as fraudes. Nas buscas na casa do delegado, foram encontradas escrituras de imóveis comprados e registrados em nome do delegado e de sua mulher no período em que supostamente as fraudes ocorreram - 2009 e 2010.

Para os investigadores, a compra dos imóveis pode ser o modo de lavar o dinheiro do esquema. A força-tarefa também apura a inserção de dado falso no sistema do Detran, crime punido com pena de 2 a 12 anos de prisão, falsificação de documento público e uma possível formação de quadrilha.

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