Fraude em Bilhete Único faz rombo de R$ 368 mil por dia

Bilhete especial era usado de forma indevida. Foram 740 mil viagens gratuitas em junho

Fernanda Aranda,

25 de agosto de 2007 | 11h02

Eles não tinham mais do que 60 anos e também não portavam nenhuma deficiência física. Ainda assim, utilizavam o Bilhete Único especial para andar de graça nos ônibus da Capital. Apenas esse tipo de fraude, considerando que todas as passagens deveriam ser pagas, provocava até abril deste ano um rombo de R$ 368 mil por dia aos cofres da Prefeitura. O prejuízo foi constatado depois que a São Paulo Transporte (SPtrans) mudou a forma de monitorar os cartões que fornecem passagens de graça para idosos e portadores de deficiência. Com a medida, o número de corridas não pagas em dias úteis passou de 900 mil (média de abril) para 740 mil em junho, uma queda de 160 mil viagens. Em julho, mês de férias, a diminuição foi ainda mais expressiva e chegou em 650 mil corridas gratuitas.  Desde maio, ao encostar o bilhete único do idoso ou do deficiente físico no validador do ônibus, uma luz vermelha se acende, a catraca é bloqueada e só é liberada depois que o usuário confirma que tem direito à gratuidade. "O que chamou nossa atenção foi que, de 2006 para 2007, cresceu apenas 2% o número de pedidos para o bilhete especial. Já as viagens gratuitas, no mesmo período, aumentaram 54% apenas nos ônibus, microônibus e lotações", afirma o presidente da Comissão Antifraude da SPtrans, Carlos Eduardo Fernandes. "Eram corridas não pagas que, na verdade, deveriam ser remuneradas. O que as pessoas precisam entender é que esse uso indevido do bilhete único interfere na arrecadação de dinheiro para investir na frota de ônibus e melhorar o transporte público de forma geral", afirma o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes. Segundo o secretário, a má utilização do bilhete sobrecarrega o sistema e diminui a receita. Para se ter uma idéia, por mês, o valor das passagens gratuitas fraudulentas chegava a R$ 1,1 milhão. Em um ano e meio, a verba seria suficiente para a construção de um corredor de faixa exclusiva para ônibus na Avenida Brás Leme, Zona Norte (o custo estimado da construção é de R$ 19 milhões).  A comissão antifraude é formada por 10 profissionais, da área jurídica e de engenharia de trânsito. Além do golpe do bilhete único do idoso e do portador de deficiência, foram identificados outros tipos de fraude. Todos os meses, a comissão apreende uma média de 1.360 bilhetes escolares que não são utilizados pelos estudantes e sim por pais, irmãos e amigos. "Não é certo burlar o sistema, mas o que não pode ser descartado é que o preço da passagem pesa muito para o paulistano", afirma a presidente da União dos Estudantes da Capital, Michelle Bressan. "Mas o golpe pode servir de argumento para quem é contra a meia passagem para aluno.O benefício conquistado fica ameaçado." Além do uso indevido de bilhetes escolares, foram localizados crachás falsificados de funcionários das empresas de transporte, que também possuem direito às passagens gratuitas. São 126 apreendidos por mês. "É preciso ter consciência de que, em última instância, quem paga o preço da fraude é o usuário do ônibus", afirma o presidente da Associação Nacional de Transporte Público, Rogério Belda. "O fraudador rouba todos os passageiros."

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