Frank Gehry constrói em Nova York seu 1º arranha-céu

Com 76 andares revestidos de aço inox, torre residencial de luxo é acompanhada com admiração e receio

Nicolai Ouroussoff, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2011 | 00h00

Com um misto de assombro e ansiedade, muitos nova-iorquinos têm acompanhado a construção da nova torre residencial na 8 Spruce Street.

Frank Gehry, o arquiteto responsável pelo edifício, passou por dificuldades na cidade. Seu primeiro trabalho em Nova York, anos atrás, envolvia uma mansão no Upper East Side que nunca foi construída. Sua cliente, a herdeira de um império do petróleo, o demitiu entre taças de champanhe. Um empreendimento mais recente, o Atlantic Yards, no Brooklyn, atraiu a ira de ativistas locais, que retrataram o arquiteto como um liberal de idade avançada disposto a se deitar com o demônio - um empreendedor imobiliário. Além de ser o primeiro arranha-céu de Gehry, o projeto - construído para o mesmo empreendedor, Bruce Ratner - é a primeira torre residencial de luxo da cidade.

Só agora, perto da conclusão do edifício, é possível reconhecer o feito de Gehry: ele ergueu em Nova York o mais belo arranha-céu desde o prédio da CBS projetado por Eero Saarinen há 46 anos, e um edifício que parece cristalizar o ponto de virada da era moderna para a era digital.

Com 76 andares revestidos de aço inoxidável, a torre de Spruce Street fica no extremo norte do distrito financeiro, em um terreno apertado entre ruas de mão única. O edifício da Universidade Pace o separa do restante da cidade, ao norte. Logo depois vemos as rampas de acesso da Ponte do Brooklyn. A norte e oeste, vemos dois dos primeiros marcos no projeto de arranha-céus, o edifício Woolworth, de 1913, e o Municipal, criado em 1912.

As superfícies do edifício, em constante transformação, são um ataque contra a padronização corporativa tão evidente dos prédios localizados ao sul. O objetivo do arquiteto foi substituir o anonimato da linha de montagem por uma arquitetura capaz de transmitir a infinita variedade da vida urbana. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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