'Francisco está ajudando a Igreja a levar adiante sua missão', diz d. Odilo

O arcebispo de São Paulo também citou o julgamento do mensalão como um dos fatos mais importantes do ano

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2013 | 19h08

O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, um dos nomes cotados para papa no conclave de março, disse na segunda-feira, 9, em entrevista coletiva para divulgar sua mensagem de fim de ano, que Francisco está mostrando, após quase nove meses de pontificado, que estava preparado para exercer o cargo.

"O papa Francisco está levando para toda a Igreja a experiência pastoral da América Latina", afirmou d. Odilo, acrescentando que, pelo seu carisma pessoal, o sucessor de Bento XVI tem trazido um novo ânimo para a comunidade católica. "Estou feliz, ao ver que, com todo o vigor e firmeza, Francisco está ajudando a Igreja a levar adiante sua missão', disse o cardeal.

D. Odilo, que foi apresentado durante o conclave, ao lado do arcebispo de Milão, Angelo Scola, como um dos favoritos para a eleição, observou que, se esteve em evidência, foi por um "jogo da opinião pública", sem que isso correspondesse ao que estava ocorrendo na Capela Sistina. "Não posso concordar que eu estivesse em evidência (entre os cardeais)", declarou.

Quanto à escolha do cardeal Jorge Mario Bergoglio, o arcebispo de São Paulo lembrou a surpresa das pessoas que se encontravam na Praça de São Pedro, quando o nome dele foi anunciado. "De onde é? Quem é?", todos se perguntavam, porque ele não aparecia entre os favoritos. "O que não significa que Francisco não estivesse em evidência no conclave, tanto assim que foi o eleito", disse d. Odilo.

O cardeal colocou a renúncia de Bento XVI e a eleição de Francisco entre os fatos mais importantes para a Igreja em 2013. Com um exemplar da exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho) nas mãos, d. Odilo convidou os fiéis a ler uma mensagem para refletir sobre os rumos que o papa Francisco pretende dar à Igreja.

"Não se deve esperar mudanças no prazo de um ou dois anos, porque a mudanças não ocorrem por decreto, mas pela tomada de consciência das pessoas", advertiu o cardeal. Segundo ele, o documento Evangelii Gaudium é um trabalho de semeadura, cujos frutos virão com o tempo. "Um dos nossos desafios para os próximos meses é acolher a exortação apostólica, a fim de saber o que é a Igreja e qual é o nosso papel", afirmou.

O arcebispo de São Paulo citou o julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal como um dos principais fatos para a sociedade em 2013. "Foi um processo democrático e transparente que deu a todos, gostando ou não, a oportunidade de acompanhar o caso", disse d. Odilo. Quanto às manifestações e protestos que vêm ocorrendo desde junho no Brasil, o cardeal observou que, apesar das distorções causadas pelo vandalismo, essas manifestações refletem a esperança de uma juventude e de um povo que querem um futuro melhor.

Ao lembrar que o papa Francisco lança hoje, em Roma, uma campanha mundial de combate à fome, d. Odilo anunciou o apoio da Arquidiocese de São Paulo a um projeto de lei apresentado pelo deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) no Congresso para a instituição da Política Nacional de Erradicação da Fome e de Promoção da Função Social dos Alimentos.

O texto lembra que é da ordem de 64% o desperdício da produção agrícola de alimentos no Brasil. O projeto foi preparado e entregue ao deputado por comitê técnico da Plataforma Sinergia, que há cinco anos atua na mobilização e integração de inteligência em soluções para o desenvolvimento econômico, social e ambiental de forma equilibrada.

 

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