França: após furacão, governo manda demolir 900 casas

Maioria das vítimas vivia em terrenos às margens do Atlântico, impróprios para urbanização e antes usados para a agricultura

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2011 | 00h00

Defesa Civil é um tema tratado com seriedade na Europa. Um bom exemplo foi a tempestade Xynthia, que atingiu 12 países do continente entre 26 de fevereiro e 1.º de março do ano passado. França, Espanha e Portugal foram os mais atingidos por ventos de até 242 km/h. O furacão deixou um rastro de 62 mortos e destruição avaliada em ? 1,2 bilhão só em território francês. Em resposta, o governo de Nicolas Sarkozy ordenou a destruição de 900 casas, mesmo contra a vontade dos moradores.

A medida drástica foi tomada pelo Palácio do Eliseu, porque a maioria das vítimas da tempestade vivia em terrenos às margens do Atlântico antes usados para agricultura e impróprios para a urbanização. Com a tempestade, diques se romperam e provocaram a inundação de dois vilarejos: L"Aiguillon-sur-Mer e La Faute-sur-Mer.

Avaliações técnicas feitas a pedido do governo resultaram na definição de uma "zona negra" na região. Entre 900 e mil moradias consideradas em área de risco serão demolidas e as famílias, indenizadas. Além disso, um relatório feito pelo Senado apontou 92 propostas a serem seguidas pelo Executivo para evitar novas catástrofes, entre as quais a revisão de todas as normas urbanísticas de zonas de risco do país.

Apesar da mobilização do poder público para evitar que novas tragédias se repitam, as críticas persistem sobre as eventuais falhas do sistema. "A redução das vulnerabilidades não é uma palavra morta. Ela deve ser implementada, em especial nas zonas mais expostas aos riscos", prega Christian Sommade, delegado-geral do Alto Comitê Francês para a Defesa Civil, uma ONG ligada ao Estado e à sociedade civil que reúne especialistas de diferentes áreas ligadas à prevenção de catástrofes.

"A planificação, que o Estado encara de maneira séria há vários anos, ainda precisa de mais repercussão local e de "prioridade política". Os planos municipais de salvaguarda ainda não parecem ser uma prioridade das prefeituras", diz Sommade."

Sirenes. Ao meio-dia da primeira quarta-feira de cada mês, 4,5 mil sirenes espalhadas por toda a França soam simultaneamente em três sequências de 41 segundos, intercaladas por cinco segundos de silêncio. Trata-se do teste periódico da Rede Nacional de Alerta (RNA), um sistema de alarmes criado pelo governo na Segunda Guerra Mundial para avisar a população sobre a iminência de ataques aéreos. Hoje ela serve para alertar para casos de perigo imediato, inclusive de catástrofes naturais.

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