Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Fotos do 'Estado' ajudam a apurar morte

Objetivo é esclarecer se assassino de PM no Rio foi morto por policiais [br]após ser imobilizado e encaminhado a hospital

Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

A Delegacia de Homicídios do Rio analisou ontem fotos feitas pelo Estado depois que o soldado da Polícia Militar Bruno de Castro Ferreira, de 29 anos, foi baleado no rosto e morto na Avenida Rio Branco, centro do Rio, anteontem, pelo assaltante Douglas da Silva Pereira, de 25 anos, que aparece algemado e vivo, pouco antes de morrer a caminho do Hospital Souza Aguiar. O PM tentava prendê-lo.

O objetivo é esclarecer se o criminoso foi morto pela polícia depois de preso e imobilizado, a caminho do hospital. Em pelo menos uma imagem, ele é visto de barriga para cima, sem marcas aparentes de tiro na camisa. A informação contrasta com a perícia feita no corpo pelo Instituto Médico-Legal, que diz que o disparo entrou pelo lado esquerdo, embaixo da costela, e saiu do outro lado, 2 cm abaixo. Até ontem, a PM não encaminhara à Polícia Civil a camisa de Pereira.

Ao som de Parabéns Pra Você, o soldado foi enterrado ontem, dia em que completaria 30 anos, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na zona oeste do Rio. Cerca de cem pessoas fizeram ontem uma homenagem ao PM morto, a poucos metros do local onde foi baleado. Às 14h30, o grupo interrompeu o trânsito da Avenida Rio Branco. "Nossa intenção é chamar a atenção para a necessidade de valorizar o profissional que no exercício da sua profissão tem um fim como esse e recebe um salário que não é compatível com o risco", afirmou Antonio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz.

Passado. Pesquisa dos antecedentes criminais de Pereira mostra que ele saíra da prisão havia apenas 1 mês e 4 dias. Condenado em 2004 a 6 anos de prisão por assalto à mão armada, foi posto em liberdade no dia 14 de outubro. A Polícia Civil apreendeu duas pistolas: uma calibre 45, com o criminoso, e uma 40, que seria do PM.

Além da foto em que o bandido aparece de barriga para cima, a polícia vai submeter à análise de um médico perito a sequência de imagens que mostram o bandido sendo carregado por um policial militar. Entre as perguntas ao perito, a principal é se existe a possibilidade de o bandido ter ficado de bruços no chão, baleado na região da barriga, por cerca de dez minutos, e não ter sangrado.

Ontem, o cabo identificado como Flávio e outro policial militar que levaram o assaltante até o hospital prestaram depoimento. Flávio disse que só percebeu que Douglas estava morto quando chegou com o colega e o preso ao Souza Aguiar. À polícia, o cabo disse que achou que o bandido estivesse ferido na perna, ao ver sangue na roupa do assaltante. O cabo disse que não viu sangue em nenhuma outra parte do corpo e achou que o bandido estivesse desacordado. O sangue era, na verdade, do solado.

De acordo com a apuração do Estado, o carro que levou Douglas até o hospital demorou 11 minutos para fazer o percurso de cerca de 1,3km. Nas imagens da viatura deixando a Avenida Rio Branco, o relógio marcava 14h43m. De acordo com a sala de polícia do hospital, um homem não identificado (Douglas) e o corpo do PM chegaram à unidade às 14 h54.

Perícia. Para a conclusão do inquérito, a polícia ainda aguarda o resultado da perícia feita na viatura 54-3249 que levou Douglas até o hospital. De acordo com informações preliminares, não há vestígios de que algum tiro tenha sido disparado no interior do veículo. Também foram ouvidas testemunhas que acompanharam a perseguição. Elas afirmaram terem visto o assaltante vivo e terem ouvido apenas um tiro. / COLABORARAM PEDRO DANTAS e CLARISSA THOMÉ

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