Fotógrafo do 'Estado' é roubado durante reintegração de posse

Filipe Araújo trabalhava em Capão Redondo junto com colega de profissão quando foi levado para barraco

24 de agosto de 2009 | 17h51

Designado para fazer a cobertura fotográfica para o Grupo Estado da reintegração de posse de um terreno invadido no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, o repórter Filipe Araújo acabou tendo sua câmera e outros materiais roubados nesta segunda-feira, 24, junto com um repórter fotográfico do jornal O Diário de S. Paulo. Confira abaixo o relato do fotógrafo:

 

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"Enquanto moradores da favela Portelinha, no Capão Redondo, confrontavam com policiais durante a reintegração de posse em terreno invadido, outros moradores tentavam recuperar objetos pessoais em barracos prestes a serem destruídos por tratores contratados pela prefeitura ou pelo forte incêndio que já estava tomando conta de praticamente toda a favela. Estava no meio da favela cobrindo a reintegração ao lado de outro colega do Diário de São Paulo, quando fomos abordados por cinco homens com os rostos cobertos por camisetas e dois deles apresentaram armas de fogo, e nos encaminharam para um barraco.

 

O barraco ao lado estava pegando fogo, e o nosso muito quente, por causa das fortes chamas. Pensei que eles queriam nos executar ou então nos manter como reféns, mas apenas pediram para jogarmos todo o equipamento ao chão e logo guardaram em mochilas. Dois deles foram embora com todo o equipamento enquanto os outros três ficaram conosco no barraco. Em seguida saíram fechando a porta, e gritaram: "Se colocar a cabeça pra fora, eu meto bala". Aguardamos por um tempo e com muito medo do forte incêndio se alastrar para onde estávamos, decidimos abrir a porta, pois se ficássemos ali correríamos riscos. Felizmente já não havia mais ninguém ao lado de fora, então corremos para uma área mais segura.

 

No caminho encontramos cinco policiais militares, que nos ajudaram em uma busca praticamente impossível, pois pelo tempo eles já teriam se escondido. Deparamos com uma multidão de moradores enfurecidos com a tao situação, que hostilizaram os PMs obstruindo a nossa passagem. A polícia teve que então recuar a busca".

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