Fotógrafo acusa vereador e deputado de tortura

RIO

, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2011 | 00h00

Um deputado estadual pelo Rio de Janeiro e seu filho, vereador, são acusados de participar de uma sessão de tortura de uma equipe do jornal carioca O Dia, capturados por membros de uma milícia (quadrilha de policiais) na favela do Jardim Batan, em 14 de maio de 2008. Três anos depois, o fotógrafo Nilton Claudino dá o primeiro depoimento público na edição de agosto da revista Piauí. Ele conta que as vozes dos dois parlamentares foram reconhecidas por sua colega repórter, também torturada. Os políticos, cujos nomes não foram divulgados, negaram envolvimento com o caso.

"Agora mesmo, em julho passado, o deputado aparece ao lado do governador do Rio em uma foto de inauguração, não muito longe de onde fomos torturados", relata Claudino.

Disfarçados, o fotógrafo, a repórter e o motorista haviam se mudado para a favela para fazer uma série de matérias sobre as milícias. Os criminosos teriam descoberto o paradeiro da equipe por meio de colegas do próprio jornal - os milicianos conheciam detalhes da mesa de trabalho do fotógrafo e um apelido peculiar da repórter.

Foram libertados após sete horas de surras e choques elétricos - entre os agressores havia PMs. "Estranhamente, não nos levaram para fazer exame de corpo de delito. Mais estranho ainda, no hospital, fui instruído a falar que havia caído do cavalo". Claudino saiu do Rio e se afastou da mulher e dos filhos. "Alguns dos bandidos estão na cadeia, mas parece que o bandido sou eu."

Em nota, o jornal O Dia afirma que prestou todas as informações necessárias à Polícia e à Justiça e que Claudino "continua até hoje funcionário da empresa e há cerca de um ano retomou suas atividades profissionais". A Secretaria de Segurança não soube informar quantos integrantes da milícia do Batan foram presos após a tortura.

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