Paulo Pinto/Estadão
Paulo Pinto/Estadão

Fórum Pensar Avenida Paulista 2021: PM terá grupo específico para manifestações

Comandante-geral da Polícia Militar afirmou que atos de junho mudaram a maneira de atuar da polícia; equipe especial contará com policias deslocados de outras áreas da cidade

O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2013 | 15h22

A Associação Paulista Viva (APV) realizou nesta quarta-feira, 27, a segunda e última rodada de palestras do Fórum "Pensar Avenida Paulista 2021". O evento, com cobertura ao vivo do Grupo Estado, teve como destaques a discussão sobre a segurança e os melhores caminhos para se lidar com as manifestações que param a avenida.

O comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, e o promotor José Carlos de Freitas, do Ministério Público de São Paulo, expuseram os parâmetros legais que regem o policiamento de protestos e a ocupação da avenida por atos e eventos. Meira afirmou que a PM terá um grupo específico para lidar com as manifestações, formado por policiais destacados de todas as áreas da cidade. O coronel disse ainda que espera a aprovação de uma lei nesta quarta, na Assembleia Legislativa paulista, para que 5 mil PMs do Estado possam reforçar o policiamento nas ruas de qualquer cidade que necessite.

As apresentações, mediadas pelo jornalista Bruno Paes Manso, tiveram representantes dos poderes públicos e de diversos setores da sociedade. Juntos eles projetaram reflexões para a Paulista de 2021, ano do aniversário de 130 anos da avenida, de 25 anos da APV e de 30 anos Rotary Clube Avenida Paulista.

No primeiro dia, os palestrantes falaram da história, do valor cultural, econômico e das preocupações urbanísticas relacionadas à região (veja o resumo). As recorrentes manifestações e o conflito entre liberdade de expressão e liberdade de ir e vir também foram estiveram na pauta.

O fórum foi uma realização da APV, da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) e Rotary Clube Avenida Paulista. O evento, gratuito, foi realizado nesta terça e quarta no Auditório do Instituto Cervantes, na Avenida Paulista, 2.439.

Veja o resumo do segundo dia de palestras:

Ricardo Young, vereador em São Paulo e presidente da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade. Defendeu que a Avenida Paulista seja um símbolo de sustentabilidade para a cidade. "O grande desafio do século XXI é transformar as cidades em espaços produtores de serviços ambientais", diz o parlamentar. "Criar um espaço urbano que garanta serviço para as pessoas, mas produza e retorne o que consumiu". Ele também defendeu a possibilidade de a Avenida Paulista ser transformada em um bulevar, com o trânsito fechado para os veículos.

Dimitri Sales, advogado. Ex-presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual e ex-coordenador de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo. Atualmente, presidente do Instituto Latino Americano de Direitos Humanos. Ele defendeu as manifestações na Paulista e as elevou ao mesmo nível de importância do trânsito livre na região. Manifestou-se contrário às práticas de black blocs, que se usam da depredação como estratégia de protesto, mas observou que falta compreensão, por parte do poder público, sobre o que esse e outros grupos representam no cenário atual.

Benedito Roberto Meira, comandante-geral da PM. Há exatamente um ano no cargo, ele comentou a influência das manifestações na mudança do policiamento e dos procedimentos da polícia na região da Paulista. Segundo Meira, desde março uma companhia específica, sob a responsabilidade de um só tenente, é atua na região, o quem vem reduzindo a criminalidade na área. Disse também que um grupo está sendo formado para atuar nos protestos e defendeu leis mais clara sobre as regras relacionados aos atos, a fim de facilitar o trabalho da PM. "Os limites não são só para os policiais. São para os cidadãos também", afirmou.

José Carlos de Freitas, promotor do Ministério Público de São Paulo. Afirmou que precisa haver um equilíbrio maior entre a liberdade de manifestação e a liberdade de circulação. Levantou também a hipótese de um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) reformular as regras de uso da avenida Paulista. O último termo, firmado em 2007, prevê a realização de somente três grandes eventos por ano na via.

Jilmar Tatto, secretário Municipal de Transportes de São Paulo. Comentou sobre as prioridades da Prefeitura na área e atribuiu os atuais problemas de mobilidade da capital à falta de uma rede trens e metrô, de responsabilidade do governo do Estado. Defendeu a política de criação de faixas exclusivas de ônibus, com o argumento de que são o meio de transporte mais usado pelos paulistanos, e fez duras críticas ao uso de automóveis. "Não existe solução para o carro. O carro é a praga do século XXI", afirma o secretário. "Ele se tornou um problema na cidade de São Paulo."

Toni Sando, presidente executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau. Falou da importância da Paulista para o turismo na cidade e defendeu uma política mais ampla e integrada para atrair visitantes à capital. Defendeu, como outros palestrantes, que se chegue a um meio termo em relação ás manifestações, que têm impacto direto sobre os hotéis na Avenida Paulista.

Antonio Gonçalves Filho, repórter especial do Caderno 2 do Estado de S. Paulo. Defendeu a democratização cultural da Avenida Paulista, afirmando que a verticalização das construções na região também causa uma "verticalização social". O jornalista criticou a falta de segurança no entorno do Masp, causa à qual relaciona uma perda de importância do museu. Propôs também programações culturais na avenida com maior capacidade de atrair o público das periferias.

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