Fortes do Exército ganham lunetas para turista no Rio

Corporação começou a instalar equipamento em 5 construções históricas com vista panorâmica no topo de morros ou à beira-mar

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2012 | 03h06

Encravados no topo de morros ou à beira do mar e da Baía de Guanabara, os fortes e fortalezas do Rio são uma atração não só pela riqueza de sua arquitetura militar como também pela paisagem. Para aproveitá-las, lunetas de observação já estão sendo instaladas em cinco construções históricas, permitindo visão panorâmica.

A ideia surgiu no mês passado e dois fortes da zona sul já foram contemplados. Visitantes pagam R$ 1 para conhecer melhor os locais que compunham a defesa da cidade, das praias e das paisagens naturais do Rio. Também recebem informações sobre as fortificações, sua história e sua arquitetura.

O primeiro ponto a ter a novidade foi o Forte do Leme. No topo do morro, em meio a uma área remanescente de Mata Atlântica, a construção de 1776 situada a 124 metros de altura reserva ao turista uma das melhores vistas da Praia de Copacabana e também da Praia Vermelha, do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara. O forte foi um antigo ponto de vigília dos militares contra embarcações estrangeiras no período colonial e hoje atua na preservação ambiental do morro.

O acesso ao Forte Duque de Caxias, como é oficialmente chamado, se dá pela Avenida Atlântica, de onde parte uma trilha de cerca de 800 metros até o topo do morro. Pela sua localização, tinha a função de alertar outras construções militares sobre a aproximação de navios. Em 1823, recebeu armas e canhões e passou a atuar na defesa da baía. Em seus porões, sobram histórias de batalhas e personalidades, como Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que trabalhou como alferes.

Idealizador do projeto, o coronel Joel Francisco Correia espera ampliar a visitação ao forte. A construção recebe em média 3 mil visitantes por mês desde que foi reaberto ao público, em 2010. "As lunetas vão incentivar e proporcionar aos visitantes de um forte conhecer e visitar os demais, integrando os fortes e fortalezas ao imaginário do povo brasileiro."

Copacabana. O serviço também está sendo oferecido no Forte de Copacabana, na ponta oposta ao Morro do Leme. Mais conhecido entre as construções militares da cidade, o forte construído em 1914 chega a receber 20 mil visitantes por mês. Além das exposições, da programação cultural e da arquitetura da fortificação, os visitantes dispõem de três lunetas instaladas ao longo da sua alameda de pedra, que margeia o mar.

Direcionadas a diferentes paisagens, as lunetas permitem descobrir os morros e os fortes de Niterói, a Mata Atlântica do Leme, o lazer e a descontração dos banhistas no mar de Copacabana. Mostram também o cotidiano, as ruas, vielas e lajes do Morro Pavão-Pavãozinho.

"Ele é muito bonito e oferece uma forma diferente de ver o Rio, que é lindo de qualquer maneira", diz Adriana Amorim, de 42 anos, em visita ao Forte de Copacabana na última semana. Mineira de Belo Horizonte, Adriana visitava a cidade pela quarta vez quando decidiu conhecer o lugar.

Os próximos. Até novembro, outros três fortes da Baía de Guanabara receberão as lunetas. Em Niterói, a Fortaleza de Santa Cruz, o Forte do Pico e o Forte de São Luiz serão contemplados. A ideia é que também o Morro da Urca, o Pão de Açúcar e o Corcovado recebam os aparelhos, como forma de divulgar o projeto dos fortes aos turistas.

O conjunto arquitetônico dos fortes foi citado no parecer da Unesco que tombou a cidade do Rio como patrimônio cultural da humanidade. No período colonial, as fortificações eram utilizadas como defesa para a entrada da baía, vigiando a chegada de embarcações estrangeiras que tentavam invadir a cidade.

Também os cariocas são chamados a conhecer os fortes. Morador de Belford Roxo, Gabriel Silva, de 15 anos, conheceu o de Copacabana em uma visita escolar na última semana. "Estou impressionado", disse.

Para o coronel Correia, esse é um tesouro da cidade que os cariocas precisam conhecer. "Com certeza, sairão encantados", afirma.

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