Douglas Reis/Jornal da Cidade de Bauru
Douglas Reis/Jornal da Cidade de Bauru

Fortes chuvas causam transtornos e motivam protestos na capital paulista

Uma casa desabou na Cidade Ademar e duas linhas da CPTM tiveram a operação restringida; em Embu

Mônica Reolom - O Estado de S.Paulo,

23 Janeiro 2014 | 22h32

As chuvas desta quinta-feira, 23, na capital paulista causaram o transbordamento de córregos, o desabamento de uma casa e a interrupção de linhas de trens, além de deixarem um ônibus ilhado. A região mais atingida da cidade foi a zona sul, sobretudo o Distrito da Cidade Ademar. Na Grande São Paulo, houve registro de um desaparecimento em Embu das Artes.

Uma residência desabou parcialmente na Rua Jorge Rubens Neiva de Camargo, no bairro do Jabaquara. Cinco pessoas foram resgatas pelo Corpo de Bombeiros, com ferimentos leves. Os bombeiros ainda enviaram equipes no fim da tarde para resgatar passageiros de um ônibus que ficou ilhado na Rua Antônio de Pinho de Azevedo. As pessoas foram resgatadas até com botes, mas ninguém ficou ferido.

A nado. Córregos no Campo Limpo, e em M’Boi Mirim e Cidade Ademar transbordaram, deixando a região em estado de alerta. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicava, às 20h30, 23 pontos de alagamento - 10 intransitáveis.

A Companhia Paulista de Transporte Metropolitano (CPTM) interrompeu às 18h30, por causa de um alagamento, a circulação dos trens entre as Estações Poá e Ferraz de Vasconcelos da Linha 11-Coral e entre as estações Aracaré e Calmon Viana da Linha 12-Safira. Às 20h, as vias ainda não haviam sido liberadas e o trajeto estava sendo feito de ônibus.

Nas redes sociais, as pessoas reclamavam do tempo de espera para pegar os trens. "A Linha 11-Coral está tão lenta por causa de um alagamento que se eu for a nado eu chego mais rápido em casa", relatou uma usuária. Outro brincou e disse que São Paulo tem "padrão Fifa de alagamento". Alguns passageiros chegaram a caminhar pelas vias da CPTM por volta das 20h, na Linha 11.

Dois veículos, um ônibus e uma caminhonete da Defesa Civil, foram incendiados durante um protesto à tarde na zona leste, de acordo com a Polícia Militar. Cerca de 50 manifestantes participaram do ato - eles reclamavam dos prejuízos causados pela chuva de quarta-feira.

Embu. A Polícia Militar e os bombeiros procuram um homem que desapareceu durante a enchente em Embu das Artes, na Grande São Paulo. A mulher da vítima informou à Polícia Militar sobre o desaparecimento às 21h15 de quarta-feira.

As equipes de resgate procuraram o corpo em galerias pluviais. As buscas foram dificultadas pelas novas pancadas de chuva que começaram a cair na tarde de quinta-feira. Segundo o Corpo de Bombeiros, o temporal pode fazer o corpo do desaparecido chegar ao Rio Tietê ou tomar outro rumo. As buscas pela vítima serão retomadas na manhã desta sexta-feira.

Nesta quinta-feira, 23, grupos de moradores protestavam por causa dos estragos causados pelas inundações. No início da noite, dezenas de manifestantes atearam fogo em objetos e bloquearam parte da Estrada Pirajuçara-Valo Velho, na zona sul de São Paulo. Durante a manhã dois grupos já haviam feito um ato na mesma via. No protesto, móveis danificados e objetos queimados também foram usados para bloquear as pistas. /COLABOROU VICTOR VIEIRA

Bauru: bombeiros têm de fazer resgate com botes

Pelo menos 12 pessoas foram resgatadas pelos bombeiros, depois que um temporal atingiu Bauru, no interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira. Entre os resgatados estavam nove passageiros e o motorista de um ônibus.

Com medo da água, eles subiram no teto do coletivo, enguiçado debaixo de um viaduto. "Retiramos os passageiros e o motorista com botes", resume o tenente do Corpo de Bombeiros, Mario Augusto Damiati. O Rio Bauru transbordou e alagou parte do centro da cidade.

Além das pessoas no ônibus, dois ocupantes de um carro também foram resgatados, segundo o tenente, que calcula em 15 o total de veículos danificados pela enchente, um carro ficou totalmente submerso.

Um ônibus foi arrastado e só não caiu no rio porque bateu em uma árvore. Diversas casas foram alagadas. "Recebemos 25 chamadas, em um dia bastante conturbado", completa Damiati.

Já em Araraquara o cenário era de casas alagadas, muros caídos e acidentes, resultado do temporal que durou meia hora. "Foi o tempo suficiente para causar estragos", observa Wagner Nicomedis, do Corpo de Bombeiros. / SANDRO VILLAR, ESPECIAL PARA O ESTADO

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