Força-tarefa corre para favela

Varginha passou por limpeza após anúncio

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2013 | 02h02

Pouco depois de Varginha ter sido confirmada como a favela que receberá a visita do papa Francisco, uma força-tarefa da prefeitura chegou à pequena comunidade, onde vivem 1.157 pessoas, segundo o Censo de 2010. Equipes da Rio Luz, da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) e engenheiros percorreram as ruas estreitas, ladeadas por sobrados em alvenaria. No acostamento, lixo e carros abandonados. "Eu me pergunto se eles fariam tudo isso se fosse escolhida outra comunidade", disse o presidente da associação de moradores, Paulo Raimundo.

Varginha também é conhecida como Parque Carlos Chagas e faz parte do Complexo de Manguinhos, região recém pacificada, antes chamada de "Faixa de Gaza", por causa dos constantes conflitos entre traficantes e policiais. Logo na entrada da favela, um dormente de trem fincado no chão lembra as barricadas que até há pouco tempo impediam a entrada da polícia.

Dados do Censo 2010 dão a medida das dificuldades dos moradores de Varginha: mais da metade das casas não está ligada à rede de esgoto e 26,06% dos domicílios não têm coleta de lixo - o despejo é feito em terreno baldio ou via pública. O que não está nos números é relatado pelos moradores: favela localizada entre os Rios Jacaré e Faria Timbó, Varginha fica inundada a cada chuva mais forte. "Espero que o papa traga melhorias para essas pessoas que perdem tudo todos os anos", diz Raimundo.

O papa Francisco visitará a pequena capela de São Jerônimo Emilliani, logo na entrada da comunidade. Dali, seguirá a pé por 100 metros até o campo de futebol em que Jairzinho, atacante da seleção brasileira na Copa de 1970, mantém projeto para 400 crianças e adolescentes. Católico, ele estava emocionado. "A presença do papa é uma dádiva. A vinda dele aqui é uma mensagem de amor, de confiança, de cidadania - o mundo é pobre e é preciso dar voz aos pobres", afirmou.

Graça. Francisco visitará ainda uma família de moradores. A esperança de Ana Alves de Souza, de 76 anos, é que ele estique a caminhada alguns metros e vá até a Capela de São Sebastião, pequena construção erguida por ela e outros quatro moradores há dez anos, alguns metros depois do campo de futebol. "Tínhamos uma imagem de São Sebastião, mas não tínhamos onde guardar. Até lá em casa ficou. Resolvemos construir a capelinha. Dos cinco, só eu estou viva." Recentemente, gastou R$ 500 no piso. E é ela mesma quem faz a limpeza. "Será que Jesus vai me abençoar e ele vem conhecer nosso trabalho? Seria uma graça muito grande."

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