Força-tarefa com 12 delegados apura 4 execuções na Grande SP

Em apenas 5 minutos, homens encapuzados fizeram 3 ataques em Osasco e Carapicuíba; polícia investiga ação de grupo de extermínio; ontem ônibus foram queimados em protesto

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, DIEGO CARDOSO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h06

Quatro pessoas morreram e outras sete foram baleadas na noite de anteontem em Osasco e Carapicuíba, na Grande São Paulo. Todos os crimes foram cometidos por homens encapuzados que estavam em um Vectra cor prata e aconteceram em um intervalo de 5 minutos. Desde o dia 5 de fevereiro, um grupo de extermínio atua nas duas cidades, segundo a Polícia Civil. Ao todo, já foram 17 mortos e outros 20 baleados nos ataques. Ontem à noite, ônibus foram incendiados nas duas cidades, em protesto contra a violência.

Para investigar os culpados e a motivação dos crimes, o delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Blazeck, formou uma força-tarefa com 12 delegados da Delegacia-Geral do Estado, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e das Seccionais de Carapicuíba e também de Osasco. "No estágio em que se encontram as investigações, não é possível afirmar qual teria sido a motivação", afirmou Blazeck.

Segundo o delegado seccional de Osasco, Dejar Gomes Neto, a polícia procura imagens de câmeras das ruas próximas do local do crime. "Queremos saber os acessos por onde o veículo do bando pode ter passado", afirmou.

Em Osasco, quatro homens bebiam na frente de um barraco de madeira, na Rua Sulamita, no Jardim Conceição, quando foram surpreendidos por quatro homens encapuzados, no veículo cor prata. Eles atiraram contra o grupo.

O empacotador Diego Denilson Camara de Lira, de 18 anos, não resistiu e morreu no Hospital Santo Antonio. Ele era procurado pela polícia por tráfico de drogas, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). As outras três vítimas baleadas foram encaminhadas ao Pronto-Socorro Santo Antônio, em Osasco.

Cinco minutos depois da primeira ocorrência em Osasco, a Polícia Militar foi chamada até Carapicuíba, onde cinco pessoas foram atingidas na Rua Andrômeda, em um bar da região, e duas na Avenida Netuno.

O vigilante Davi Cesar Cabo, de 34 anos, e um menor de 16 anos foram baleados na Avenida Netuno, na altura do número 111, no Jardim Novo Horizonte. Segundo o boletim de ocorrência, um homem que "usava touca ninja e agasalho escuro" começou a atirar. Cabo não resistiu e morreu no local. O menor foi encaminhado ao Pronto-Socorro Santo Antônio.

Um grupo de amigos estava reunido na frente da Praça Gonçalo José da Silva, na esquina da Rua Júpiter com a Rua Andrômeda, quando o Vectra prata passou lentamente. Cerca de 30 minutos depois, o veículo passou novamente e atacou.

Uma das vítimas baleadas foi um garoto de 13 anos, que era dependente de drogas, segundo a família. "Ele estava voltando da casa do pai, quando parou para conversar com um amigo e foi atingido na perna", explicou o padrasto do rapaz. "Nós sabemos que ele estava envolvido com drogas, já tentamos interná-lo duas vezes." O menor foi encaminhado ao pronto-socorro e teve alta no fim da tarde de ontem.

Protestos. Às 19 horas de ontem, cerca de 200 moradores de Osasco atearam fogo em um ônibus na Avenida José Barbosa de Siqueira, em protesto aos homicídios cometidos na região. Segundo a Polícia Militar, não houve registro de nenhum ferido. Por causa da fumaça, as Escolas Estaduais Leonardo Villas Boas e Irmã Gabriela Maria Elisabeth Wienkem, em Osasco, tiveram as aulas noturnas suspensas ontem. Minutos depois, um outro coletivo foi queimado em Carapicuíba, na Rua Júpiter, onde foi registrado um dos crimes.

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