Foragido escreveu relatório justificando morte de PM

Criminoso preso em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, estava com documento prestando contas a líderes de facção

28 de novembro de 2012 | 11h07

SÃO PAULO - Integrantes de uma facção criminosa estariam produzindo relatórios informando às lideranças sobre os motivos das execuções de PMs. Documentos com essas prestações de contas foram apreendidos em ação realizada na tarde dessa terça-feira, 27, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, por policiais da 4ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes contra Seguros (Divecar), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Os papéis estavam com o ajudante Cícero Júlio Machado Lopes, o Juninho, de 36 anos, foragido da Justiça e apontado como "torre" (gerente do crime) na região. Em um texto datado de 9 de julho encontrado com ele, Lopes justifica o assassinato de um soldado. "Essa situação só ocorreu por o mesmo ter se aprezentado (sic) como polícia", escreveu.
 
Segundo o delegado Sérgio Alves, titular da 4ª Divecar, o ajudante cumpria pena por tráfico de drogas no presídio de Valparaíso e estava foragido desde maio, quando aproveitou um indulto de Dias das Mães para matar o policial e fugir. A equipe da 4ª Divecar realizava apurações em Itaquaquecetuba e recebeu informações sobre o fugitivo.

Os policiais prenderam Lopes na avenida presidente Tancredo Neves, no bairro Estação. A equipe encontrou uma grande quantidade de documentos na casa do foragido, com a contabilidade do tráfico, comunicados (salves) dos chefes da facção e o relatório explicando os motivos da execução do PM, informou o titular da 4ª Divecar.

Alves explicou que o foragido foi autuado em flagrante por uso de documento falso. Na abordagem, apresentou uma certidão de nascimento com outro nome e falou que tinha sido liberado de uma revista em outra ocasião com o mesmo papel.

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