Fora dos holofotes da maior chacina de SP, 4 execuções continuam sem solução

Homicídios foram denunciados pela Ouvidoria da Polícia, que alegou haver relação entre eles e a série de ataques que acabaria com 17 mortos em Osasco e Barueri

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Fora dos holofotes da maior chacina da história de São Paulo, outras quatro execuções cometidas no mesmo período, em Osasco, na Grande São Paulo, continuam sem resposta um ano depois. Os homicídios foram denunciados pela Ouvidoria da Polícia, que alegou haver relação entre eles e a série de ataques que acabaria com 17 mortos na cidade e em Barueri. Contudo, os crimes terminaram excluídos da força-tarefa que investigou a chacina - e os responsáveis não foram identificados até hoje. 

Para o ouvidor Julio César Neves, os assassinatos não foram esclarecidos porque não tiveram repercussão e, consequentemente, não foi empenhado o mesmo esforço para solucionar os casos. "Quando os crimes não estão sendo divulgados pela mídia, ficam no esquecimento. É triste sentir essa realidade", afirmou. "Era indispensável que integrassem as investigações da força-tarefa, porque são crimes conexos com os outros ataques." 

Esses homicídios aconteceram nos dias 8 e 9 de agosto de 2015, em uma espécie de "pré-chacina", segundo a Ouvidoria. Eles começaram horas depois da confirmação da morte do cabo da PM Ademilson Pereira de Oliveira, de 42 anos, baleado em um posto de gasolina - o que provocou retaliação de colegas, de acordo com as investigações da força-tarefa. Três PMs e um guarda-civil estão presos, acusados de serem responsáveis apenas pela chacina do dia 13.  

As quatro vítimas tinham entre 16 e 44 anos, eram homens e foram executadas a tiros em locais próximos aos da série de ataques subsequente. As investigações policiais, no entanto, descartaram a correlação entre as mortes. Dessa forma, os casos ficaram sob responsabilidade do Setor de Homicídios da Polícia Civil de Osasco.

Execuções. Uma as vítimas é Gabriel Felipe Ferreira Lopes, de 17 anos, baleado duas vezes na Avenida Santiago Rodilha. O crime aconteceu no dia 8. O jovem foi assassinado ao sair de uma festa, por volta da 1h45. Familiares afirmaram em depoimento que, segundo amigos de Lopes, os autores dos tiros eram policiais. De acordo com os investigadores, nenhuma testemunha confirmou a versão. O assassino nunca foi identificado.

Minutos depois do primeiro ataque, Bruno dos Santos Pereira, de 16 anos, foi morto na Rua Calixto Barbieri com 19 disparos de calibre 380. Aos investigadores, parentes disseram que o jovem era usuário de drogas e teria ido a um baile funk naquela noite. Já os amigos relataram que Pereira derrubou a cerveja de um desconhecido na festa, acabou se envolvendo em uma briga e saído do local sozinho. O corpo foi encontrado estendido na calçada.

Já Wellington Gomes Ribeiro, de 16 anos, morreu na Estrada das Rosas, por volta das 7 horas, após ser alvejado sete vezes. Um dos disparos atingiu o olho direito da vítima. Familiares disseram que ele havia saído de casa para jogar futebol. Um amigo contou aos policiais que, logo após se despedir de Ribeiro, ouviu disparos de arma de fogo e barulho de uma moto. As investigações também não chegaram aos autores do crime.

O outro caso de homicídio cuja autoria continua desconhecida aconteceu no dia 9: Marcos Antônio Paes, de 44 anos, teve o corpo despejado de um carro na Alameda Roraima. Ele morreu com três disparos no rosto e um no peito. Por não morarem em São Paulo, os parentes não foram ouvidos pela polícia. Colegas de trabalho não teriam fornecido informações de relevância para a investigação.

Questionada sobre os homicídios não incluídos nas apurações da chacina, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que os casos ainda não foram encerrados. "Os inquéritos que investigam as mortes de Bruno dos Santos Pereira, Gabriel Felipe Ferreira Lopes, Wellington Gomes Ribeiro e Marcos Antônio Paes continuam em andamento, em segredo de Justiça."

 

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