Estadão
Estadão

Fora do plano, renegociação da dívida é legado da gestão Haddad

É o que diz especialista da FGV - saldo a pagar caiu de R$ 79 bi para R$ 29 bi; Paulista Aberta e parklets surgiram durante o governo

Adriana Ferraz e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2016 | 03h00

Em março de 2013, a lista com 123 metas apresentada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) não trazia o que seria, três anos depois, um dos principais legados da gestão petista à frente da Prefeitura de São Paulo: a renegociação da dívida com o governo federal. 

O problema de Haddad, segundo o professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Gustavo Fernandes, foi que essa conquista veio tarde demais para o mandato petista, produzindo pouco impacto na sua gestão. “Sem dúvida foi uma grande vitória política do prefeito, mas demorou para acontecer, o que foi um fator complicador para que ele cumprisse todas as metas”, disse.

Os antecessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) já haviam alertado para a necessidade de a Prefeitura negociar o débito bilionário com a União, mas foi Haddad que deu caráter de urgência à medida, assumindo liderança nacional no processo que culminou na aprovação de uma lei que reduziu o saldo a pagar de R$ 79 bilhões para R$ 29 bilhões em fevereiro deste ano, quando a revisão dos contratos foi assinada. 

Diante da crise econômica do País, que fez a arrecadação com impostos cair e teria levado o governo federal a descumprir convênios que previam repasses de R$ 8 bilhões à cidade, a renegociação da dívida daria um fôlego à administração municipal para ampliar a capacidade de investimentos da Prefeitura. Agora, o Município já pode voltar a contrair empréstimos com bancos e agências de fomento internacionais.

Baixo custo. Sem os recursos federais prometidos pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff e sem usufruir dos benefícios da renegociação da dívida na maior parte da gestão, Haddad se valeu de ações de baixo custo que também não estavam previstas no Plano de Metas para deixar uma marca de sua gestão à frente da cidade, como o fechamento da Avenida Paulista para carros aos domingos e feriados para carros, a regulamentação do carnaval de rua e o incentivo aos parklets (mini praças que ocupam vagas de estacionamento nas ruas).

“Se por um lado as metas não foram concluídas na totalidade por motivos excepcionais, como o aumento do subsídio por causa do congelamento da tarifa de ônibus em 2013, a ação judicial do PSDB que impediu o reajuste do IPTU por um ano, e o processo de impeachment da Dilma, que brecou repasses federais, por outro lado a gestão deixa uma série de marcas que não estavam previstas”, disse o vereador Paulo Fiorilo (PT).

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.