Fora da política, não sabia nem mexer com dinheiro

O acidente que causou sua morte, em 1992, poupou Ulysses da decisão que tomaria dali a dois dias, talvez a mais difícil de sua vida - deixar o PMDB, partido do qual foi fundador e espécie de dono por quase três décadas, e se transferir para o PSDB de Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e José Serra.

Bastidores: João Domingos, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Já aos 72 anos, no comando da Constituinte, todos os dias antes do almoço no Piantella, seu restaurante preferido, tomava três doses de uísque. Depois, presidia as sessões até altas horas. "Vamos votar, vamos votar, meus amigos", eram as palavras com que iniciava as votações.

Dormia por volta de 1 hora e acordava sempre às 6 horas. Para dar conta de votar todos os capítulos da longuíssima Constituição, Ulysses comandou sessões aos sábados, domingos e feriados. Acabou tendo um surto psicótico por estresse em plena presidência de uma sessão. Teve de ser levado secretamente aos Estados Unidos, onde foi tratado com carbolítio.

Fora da política, suas decisões mais simples dependiam da mulher. "Se não fosse a Mora, eu andava por aí com roupas exóticas." Nunca aprendeu a mexer com dinheiro. A compra da casa da Rua Campo Verde, no Jardim Paulistano, onde morou até o fim da vida, foi feita pelo secretário, Oswaldo Manicardi. Nem pedir a mão de Mora em casamento Ulysses conseguiu. Foi Manicardi que o fez.

Ulysses dizia que tinha duas frustrações. Não ter ganhado uma bicicleta, quando menino, em Rio Claro, cidade onde nasceu, e não ter virado pianista, desejo de sua mãe.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.