Foo Fighters hipnotiza 75 mil fãs no Lollapalooza

Banda de Dave Grohl fez show generoso, apostando na força de seus grandes hits

JOTABÊ MEDEIROS , ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

08 Abril 2012 | 03h02

Com um repertório de 26 músicas, duas horas e meia de show, uma avalanche de refrões para consumo imediato, o Foo Fighters dominou a multidão de 75 mil pessoas no Lollapalooza com habilidade e boas trucagens pop.

Embora sem estar com a voz em sua melhor forma, Dave Grohl foi generoso e valente, berrou até perder o fôlego, tocou trechos de Queens of Stone Age e Led Zeppelin, usou aquela faixa de tênis mamão de protagonista de Juno, encarou as garotas, correu na passarela no meio do público, empunhou bandeira do Brasil. No gargarejo, estavam os rapazes do TV on The Radio, apreciando o pop travestido de hard rock dos rapazes do FF.

Foi uma conversão em massa. O refrão de Breakout (I Don't Wanna Lose Like That) foi cantado em coro pela multidão como se fosse show do Nirvana. E Dave Grohl, atento às expectativas, foi para a bateria durante a execução de Cold Day in the Sun. Everlong, acústica, já no finalzinho, foi uma espécie de lounge para o público, para dar um refresco da noite quente (ameaçou chover, mas não caiu gota).

Foo Fighters faz rock para aliviar os espíritos, não para ensandecê-los, mas acabou conseguindo ambas as coisas. As meninas gritavam os refrões hiperconhecidos de canções como My Hero, Learn to Fly, Walk, Rope, Pretender. Os rapazes deitavam no chão e faziam cara de transgressores imitando os solos de guitarra de Pat Smear (que Kurt Cobain idolatrava e tocou com o Nirvana em algumas apresentações). "Sou rico graças a vocês", brincou o baterista Taylor Hawkins. "Desculpem ter levado 17 anos para voltar a tocar aqui", disse Dave Grohl, prometendo regressar em breve. Vai dobrar o público, pelo jeito. A inclusão de I Love Rock 'n' Roll, no final, ao lado de Joan Jett, já estava prevista, mas funcionou bem. O Foo Fighters sai de alma lavada.

Mergulhos insanos no meio da multidão, realizados com temeridade (e sem equipe de resgate) por Matt Shultz, vocalista da banda norte-americana Cage the Elephant, iniciaram a farra da primeira edição do Lollapalooza Festival no Brasil, na tarde de ontem. "Vocês são uns doidos esquisitos. Eu nunca fui tão violentado", brincou Shultz.

Marcelo Nova e sua banda, sob sol escaldante, também chegaram cheios de vigor. "Preparem-se para ouvir um som que está em extinção", disse Nova. Depois do Cage the Elephant no chamado Palco Butantã foi a vez da banda O Rappa ocupar o palco principal. Já o TV On The Radio passou por seu belo cancioneiro em um set veloz e preciso. À frente da banda, o carismático Tunde Adebimpe é uma síntese das habilidades do grupo: soulman moderno, versado em blues e efervescência punk.

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