Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

''Fomos expulsos sem saber dos amigos''

Grupo reclama que Playcenter não deu informações sobre companheiros feridos

Renato Machado e Plínio Delphino, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2011 | 00h00

Passadas três horas do acidente e após o fechamento do parque, um grupo permanecia na noite de ontem em frente ao Playcenter em busca de notícias dos amigos que haviam caído do brinquedo. E todos reclamavam da postura dos funcionários e seguranças que os haviam "expulsado" e se recusavam a dar informações sobre o que acontecera.

"É um total descaso. Colocaram a gente para fora e não falaram nada sobre nossos amigos. Depois de muita briga com os seguranças, confirmaram que a Suzana e a Adriana estavam entre as vítimas, mas como vou ligar para o pai delas se nem sei o estado?", questionava a vendedora Kamyla Marques, de 21 anos.

O grupo de 15 pessoas havia alugado uma van para ir ao Playcenter. Quatro dos amigos estavam na parte do brinquedo em que a trava abriu e acabaram caindo de uma altura de cerca de 7 metros. Uma delas é menor de idade. "Eu vi um deles com a cabeça sangrando, mas depois não sei o que aconteceu com ele", disse a auxiliar de escritório Sandra Aparecida da Mota, de 29 anos.

As primeiras notícias vieram após as 22 horas - mais de quatro horas após o acidente, quando Kamyla e Sandra desistiram de esperar e foram para casa. Uma das amigas acidentadas estava passando por uma cirurgia na mão. A outra sofrera um traumatismo no abdome. "Não sabemos ainda se isso é grave", disse Kamyla.

No Hospital Metropolitano, parentes de feridos elogiaram o socorro dos bombeiros, que teria sido rápido e eficiente.

O ajudante-geral Emerson Rodrigues, de 21 anos, tinha ganhado ingressos para o Playcenter. Juntou um grupo de 10 pessoas em que estavam a mãe e a irmã e foi ao parque. "Estávamos na fila. Meu irmão Emerson e os amigos Wallace e Cassiano entraram no Double Shock primeiro", lembrou Aline. "De repente, uma mulher na fila gritou: tem gente caindo!"

Relatos de pessoas presentes no Playcenter apontam que o brinquedo Double Shock deixou de funcionar pelo menos duas vezes durante a tarde para "manutenção técnica". As pessoas nas filas foram avisadas que haveria parada momentânea e que em breve a operação voltaria ao normal. O Playcenter nega.

"Por duas vezes a gente passou ali perto para andar nesse brinquedo, mas estava fechado para manutenção técnica", disse a autônoma Cione Ramos, de 34 anos. "Eu fui momentos antes do acidente. Depois eu vi muita gente chorando por causa do que aconteceu e eu escapei."

A versão também foi reforçada pela adolescente A.P., de 14 anos. O Playcenter informou que o Double Shock funcionou normalmente até o ocorrido. A assessoria de imprensa do parque afirma que todas as paradas preventivas ou de manutenção dos brinquedos são registradas em um relatório interno de ocorrências e que ontem não havia registro de parada.

PARA LEMBRAR

Há seis meses, 16 feridos na montanha russa

Há pouco mais de seis meses, em setembro do ano passado, o choque entre dois carros de montanha russa no Playcenter deixou 16 pessoas feridas. Com sangramentos no nariz e escoriações na cabeça, foram levadas ao Hospital Metropolitano, na Lapa, zona oeste.

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) constataram que a batida não foi causada por pane nos veículos, mas por um problema nos freios.

Em outro acidente em 2005, a Montanha Encantada, uma das atrações mais tradicionais do parque, pegou fogo e foi totalmente destruída em menos de 40 minutos.

As labaredas chegaram a 20m de altura. Desativada havia dois meses, a Montanha Encantada - onde visitantes circulavam dentro de um barquinho, por um canal de água ouvindo música - pegou fogo enquanto era desmontada, em um terreno isolado a 50 metros do público, mas dentro dos muros do Playcenter, na Marginal do Tietê.    

 

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