Fome, saques e cidades fora do mapa

Pelo menos seis municípios foram totalmente destruídos; no meio do caos, Promotoria pede prisão para quem cobrar preços abusivos

Angela Lacerda, enviada especial em Mundaú, e Ricardo Rodrigues, enviado especial em Murici, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

Águas do Rio Mundaú destruíram União dos Palmares, na Zona da Mata

 

A situação segue dramática em Alagoas e Pernambuco. Nesta quarta-feira, 23, o número de mortos subiu para 45 e Polícia Militar e Força Nacional de Segurança tiveram de intervir para impedir saques. Há superfaturamento de preços e faltam água e comida. A Defesa Civil informou que União dos Palmares, Branquinha, Rio Largo, Viçosa, Santana do Mundaú e Quebrangulo foram destruídas. E há pelo menos outros 48 municípios afetados.

 

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A bordo de um helicóptero Esquilo H-50 da Força Aérea Brasileira (FAB), o Estado acompanhou de manhã a entrega de cestas básicas na região devastada pelas enchentes. O que mais impressionou foram os cinco reservatórios da usina de álcool de Lajinha, que pesam 180 toneladas e têm capacidade para um milhão de litros, espalhados ao longo do Rio Mundaú. Foram levados pela força da correnteza. Assim como pontes e plantações. Mesmo os pilotos militares, acostumados a atuar em tragédias, ficaram espantados. Em alguns locais, só a ação do Exército impede as pessoas de passar fome.

Em áreas próximas da capital alagoana, como Murici, a 80 km de Maceió, faltam energia e água há cinco dias. "O pior é que não tem nem previsão de quando a luz vai voltar, porque 70% dos postes foram derrubados pela correnteza", afirmou o comerciante Jonatas Procópio, de 48 anos. Segundo moradores, a água fornecida só pelo carro-pipa não dá para todos. "Um galão de água, que antes a gente comprava por R$ 4, agora está custando R$ 30", conta o comerciante. O Ministério Público foi informado e mandou prender quem cobrar preços abusivos. Para conter saques, 70 homens da Força Nacional serão dispostos pelas estradas.

Em Palmares (AL) e Barreiros (PE), já foi necessária a intervenção da PM para evitar saques. "As pessoas estão desesperadas, com fome e sede. É evidente que muitas perdem o controle", destacou o secretário de Comunicação de Alagoas, Nelson Ferreira.

Solidariedade. Com o apoio de voluntários, mais de 600 toneladas de água mineral, alimentos, agasalhos e produtos de higiene e limpeza já foram distribuídas. O Hospital de Campanha das Forças Armadas começou a funcionar ontem em Barreiros (PE). Em Palmares, os 65 funcionários de um hospital que ficou submerso estão atendendo em hospitais particulares. Hoje, São Paulo deve mandar mais uma equipe ao Nordeste - no total, são 32 bombeiros, 4 cães, 7 botes. / COLABOROU MÔNICA BERNARDES

 

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