Folhas antigas de Zona Azul à venda com ágio em SP

Em diversos pontos, os vendedores e flanelinhas tentavam tirar proveito em cima do valor da folha

Naiana Oscar, Jornal da Tarde

06 de outubro de 2009 | 08h43

Com o reajuste da tarifa de Zona Azul que entrou em vigor na segunda-feira, postos credenciados e flanelinhas aproveitaram para faturar. Dos 15 pontos de venda oficiais pesquisados pela reportagem, nove estavam desrespeitando ontem a determinação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e vendendo as folhinhas antigas por valores que iam de R$ 2 a R$ 4.

 

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Para evitar o estoque de talões, o que fez a Prefeitura suspender o aumento da Zona Azul em julho, a companhia estabeleceu que, mesmo depois do reajuste, os talões que tivessem impresso o valor antigo teriam de ser vendidos sem o aumento. Nenhum dos locais visitados havia recebido os talões com o novo valor impresso, de R$ 3,00. Mesmo assim, ofereciam as folhas antigas com ágio.

 

Questionados sobre o superfaturamento e o desrespeito à determinação da CET, os comerciantes alegaram desconhecimento. Alguns tentavam até confundir o cliente. "É só na Prefeitura que se vende pelo preço oficial. Nos outros pontos, vendemos acima disso para ter um lucro mínimo", disse o dono de uma banca de revistas, na Avenida Liberdade. Ali, a folha avulsa era vendida a R$ 2,50.

 

Na região da Rua 25 de Março, um posto credenciado reajustou o cartão antigo para R$ 4. O atendente alertou que o preço subiria ainda mais depois que recebesse as folhas novas. "Aproveita que ainda está num preço bom. Vai aumentar e na rua você não encontra." O local fica a menos de 500 metros da sede da Secretaria Municipal de Transportes, localizada na Rua Boa Vista, no centro. A CET afirma que intensificou a fiscalização e chegou a descredenciar alguns postos oficiais.

 

Para tentar esconder a fraude, vendedores oficiais e flanelinhas chegaram a rasurar a folha: uns simplesmente riscaram o valor antigo e outros tentaram com uma caneta preta alterar a tarifa. O comerciante Fernando Lopes, de 28 anos, pagou o dobro pela folha na região do Itaim-Bibi. Ele sabia que estava sendo enganado, mas considerou que, se fosse atrás de um posto oficial, corria o risco de ser multado. Acabou comprando a Zona Azul de uma ambulante. "Estamos reféns dessas pessoas porque não dá tempo de encontrar um lugar que venda pelo preço certo."

 

Na semana passada, a reportagem havia constatado que os talões começaram a sumir das lotéricas, um dia após o anúncio do reajuste. Ontem, três postos pesquisados não tinham o cartão. Apenas três estavam vendendo a folhinha no valor oficial, um deles no Parque do Ibirapuera.

 

Cada folha permite estacionar por um período de uma a três horas. O aumento, de 67%, é o primeiro em oito anos. O reajuste foi anunciado no fim de maio e suspenso no início de junho por suspeita de fraude na distribuição.  A sindicância apontou que algumas distribuidoras estocaram cartões. O talão com dez folhas, que custava R$ 18, deve ser vendido a R$ 28, com abatimento de R$ 2. As folhas adquiridas antes do aumento continuarão valendo.

Descredenciamento

A CET descredenciou ontem 49 postos de venda oficiais que não cumpriram a determinação de vender as folhas de Zona Azul antigas pelo valor impresso. Os endereços desses pontos já foram excluídos do site da companhia. Segundo a Prefeitura, há 130 agentes de trânsito nas ruas para fiscalizar os 3,7 mil postos de venda credenciados.

Em nota, a CET pediu ontem o apoio dos motoristas para identificar os locais que estão vendendo talões com ágio. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 1188 e no site. Entre os pontos oficiais, há agências dos Correios, lotéricas e lojas da Drogaria São Paulo e do Pão de Açúcar. Também é possível comprar o talão, sem custo adicional, no site Zona Azul.

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