'Foi uma emboscada, a viatura foi toda alvejada'

Depoimento de Francisco Carlos Ranulpho, 2º sargento do 41º Batalhão, na cidade de Santo André

22 Outubro 2011 | 16h38

“Eu era do 30.º Batalhão, de Mauá (Grande São Paulo). Como em todo o Estado, tinham pipocado informações sobre indivíduos transitando armados pelas ruas de lá também, mas o período dos grandes ataques já havia passado.

Era madrugada de 7 de junho, por volta das 2 horas, e eu e meu colega, que estava dirigindo a viatura, estávamos intensificando o policiamento no Jardim Zaíra, local de alta incidência criminal. De repente, eu ouvi um barulho, um estampido muito forte, e meu motorista avisou: ‘Sargento, tem um cara atirando atrás da gente’.

O vidro quebrou e o indivíduo saiu correndo. Nós desembarcamos. Eu passei a mão na arma e já desci pedindo apoio ao Copom. Graças a Deus, o rádio tinha um fio bem longo. Nesse momento, outros indivíduos que estavam escondidos em uma laje, a cerca de 30 metros, começaram a atirar. Vi os tiros pegando no chão.

Nós nos escondemos atrás da viatura e os disparos continuaram. Só deu para notar que eles portavam armas curtas – pistolas e revólveres. Meu colega revidou com dois disparos e se protegeu.

Quando eu fui começar a revidar junto, acendeu uma luz na residência onde os indivíduos estavam. E duas mãos, pequenininhas, apareceram na janela. Era uma criança. Não pensei nem meia vez, pulei no colega e falei: ‘Para de atirar, fica calmo, fica calmo’. E continuei pedindo apoio. Então, seis viaturas cercaram o local. Acho que os bandidos viram a movimentação e fugiram por uma zona de mata que existe na área. Nem eu nem o meu colega nos machucamos, mas a viatura, uma Parati, ficou inteira alvejada.

Acho que foi uma emboscada. Durou cerca de 10 minutos... O tempo inteiro, percebi que estava amparado por Deus(o estudo aponta a fé como fator relevante para a superação). Como faço todos os dias, eu tinha rezado o Salmo 91 naquele 7 de junho.”

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