'Foi uma covardia. Eles destruíram uma família'

O também motorista de ônibus Adriano Massarotto Alves, de 33 anos, filho de Edmilson dos Reis Alves, teme que o linchamento do pai fique impune. Por isso, faz um apelo para que as pessoas procurem o Disque-denúncia para passar informações sobre o caso. Para ele, o crime foi "uma covardia".

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2011 | 03h02

Como você ficou sabendo da morte do seu pai?

Um amigo da empresa de ônibus me ligou para contar o que aconteceu. Ele não tinha certeza de que era meu pai, mas sabia que era na região onde ele trabalhava e morava.

Qual foi sua reação quando soube o motivo do crime?

Para mim é uma covardia. Meu pai era um ótimo motorista, sempre amou o trabalho e por isso estava na profissão havia 20 anos. Ele nunca teve inimizades, nunca tratou mal ninguém. E ele ainda foi espancado perto de casa. Não consigo entender como alguém pode ter coragem de fazer o que fizeram com meu pai. Como essas pessoas colocam a cabeça no travesseiro? Será que elas acham isso engraçado? Será que elas não se importam em ter destruído uma família? Bateram muito nele.

Até agora a polícia não tem pistas dos agressores. Você tem medo da impunidade?

Muito. A gente sabe que na periferia as coisas não funcionam como em bairros mais nobres e, para piorar, a polícia não tem nenhuma imagem, nenhum depoimento que descreva os culpados. Nessa hora todo mundo se esconde. O único apelo que eu faço é que quem viu ou sabe alguma coisa ligue para o Disque-denúncia (181). Se tiver alguma imagem, mande para a polícia, A gente nunca acha que vai acontecer com a nossa família, mas pode acontecer.

Você também é motorista de ônibus. Pretende largar a profissão?

Não, porque eu tenho uma família para cuidar. E, além disso, aprendi a amar essa profissão com meu pai. Mas nunca mais vai ser igual. /C.B.

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