'Foi uma agressão que acabou virando reação dos moradores'

Alessandra Moja Cunha, de 28 anos, representante da Associação de Moradores da Comunidade do Moinho, onde vive há 18 anos, tinha os olhos vermelhos e os pés inchados quando falou ao Estado, na madrugada de ontem. Resultado, segundo ela, do spray de pimenta, das bombas de efeito moral e dos tiros de borracha usados pelos guardas-civis metropolitanos (GCMs) no confronto.

Entrevista com

DENIZE GUEDES, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2012 | 03h01

Como começou?

Eu estava distribuindo as marmitas (doadas), umas 19h30, e me avisaram de confusão do lado de fora. Saí e vi um rapaz apanhando de uns seis GCMs. Perguntei: 'O que está havendo?' Nisso, já tinha algumas pessoas em volta. Um dos guardas me empurrou, jogou uma bomba no meu pé, foi fumaça para todo lado, e começou.

Havia a versão de que moradores reconstruíam casas no local do fogo e foram reprimidos.

Não teve nada a ver. A gente teve uma conversa na Prefeitura pela manhã sobre isso.

O estopim foi a agressão.

Agressão que virou reação.

Reação como?

Eles começaram a atirar (balas de borracha) e a correr atrás da gente. Agrediram poucos e esses poucos viraram muitos, porque vários moradores vieram para a frente (com pedras). Depois, foi todo mundo entrando de volta nos barracos (que seguiram de pé após o fogo). E eles atrás, estourando tudo. Um estava cheio de criança.

Você viu o homem baleado?

Vi, foi na hora em que a gente correu para dentro da favela. A maior parte era de mulher (correndo), e a GCM dando tiro nessa hora. Era tiro mesmo.

Como acabou o confronto?

Fui pedindo para pararem, falei das crianças (antes reunidas por causa da marmita) e eles foram se acalmando. Eram mais de 40 GCMs só dentro da favela. No confronto, tinham uns 20 moradores.

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